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A cinco vezes campeã mundial Carissa Moore, uma das surfistas mais tituladas da história do surf mundial, anunciou, esta sexta-feira, que vai retirar-se este ano da competição. A havaiana, de 31 anos, vai competir na etapa inaugural do World Tour, que acontece já no fim do mês em Pipeline, no Havai, e depois deixará o circuito, fazendo a última prova da carreira no próximo verão, nos Jogos Olímpicos de Paris’2024.
Antes de fazer a última aparição competitiva, Carissa vai também competir na etapa do circuito mundial no Taiti, com a WSL a ter-lhe garantido o wildcard. Curiosamente, é em Teahupoo que, dias depois da etapa taitiana, vai acontecer a prova olímpica de surf de Paris’2024, onde Moore vai defender o título olímpico conquistado em Tóquio’2020.
"Não gosto da palavra retirada", começou por afirmar Carissa Moore, em declarações publicadas em comunicado pela World Surf League. "Estou ansiosa por perceber o que vem a seguir, já sem a licra de competição. Prefiro que isto seja encarado como uma saída do circuito, um passo atrás, uma mudança de caminho ou apenas uma evolução", frisou
Com 28 vitórias nas 120 etapas disputadas no Tour e um total de cinco títulos mundiais – o primeiro em 2011, na sua segunda época no Tour, e o último em 2021, vencendo ainda em 2013, 2015 e 2019 -, Carissa foi, a par da australiana e recordista de títulos mundiais Stephanie Gilmore, uma das maiores figuras do surf feminino na última década. Ela que só em 2012 não conquistou qualquer etapa no CT.
Com a mudança de formato da disputa do título mundial de surf, que agora é decidido numa finalíssima, a surfista havaiana acabou por ser uma das grandes prejudicadas com a alteração. Isto porque tanto em 2022 como em 2023 acabou a fase regular na liderança do ranking mundial feminino, perdendo depois na finalíssima de Trestles para Stephanie Gilmore, em 2022, e para a norte-americana Caroline Marks, no ano passado.
Entre os triunfos de Carissa Moore na elite mundial, destaque para os dois triunfos obtidos em Portugal. O primeiro aconteceu em 2010, em Peniche, no ano de rookie, e o segundo em Cascais, em 2013. Além disso, Carissa ainda teve a particularidade de em 2011, depois do primeiro título mundial da carreira, aos 18 anos, ter sido convidada e ter competido em duas das três etapas que formavam a famosa e já extinta Triple Crown havaiana e que contavam para o circuito de qualificação masculino.
Em 2020, Carissa já tinha anunciado uma pausa na carreira, de forma a fazer um ano sabático no Tour. Contudo, a chegada a pandemia acabou por impedir a realização do circuito nesse ano e no ano seguinte a havaiana regressou à competição.
Wildcards definidos
Este afastamento de Carissa vem trazer emoção extra ao Pipe Pro, etapa inaugural do World Tour 2024, que arranca a 29 de Janeiro. Apesar de ainda ir competir na etapa de Teahupoo, esta será a despedida da antiga campeã mundial a competir no Havai e numa onda como Pipeline, que poucas dominam como ela. Será também a etapa que marca o regresso do português Frederico Morais ao Tour.
Entretanto, a organização já anunciou o nome dos três wildcards, todos eles havaianos. Na prova feminina a convidada foi Moana Wong, que já venceu esta etapa como wildcard, enquanto do lado masculina serão os jovens Shion Crawford e Jackson Bunch a desafiarem os melhores surfistas do Mundo.
Por João Vasco Nunes