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O português Nuno Borges, eleito para o conselho consultivo do circuito masculino do ténis mundial, disse esta 2.ª feira à agência Lusa que a ATP começa a prestar mais atenção aos interesses dos jogadores.
"Acho que finalmente nos estamos a sentir um bocadinho mais ouvidos", disse o tenista de 28 anos, natural da Maia, que pela primeira vez faz parte do Conselho Consultivo de Jogadores da ATP.
A ATP anunciou na quinta-feira passada que o número um português tinha sido um dos quatro novos membros a serem eleitos pelos tenistas para os representar no conselho até 2028.
"Agora são, teoricamente, três anos neste mandato, digamos assim, e eu, junto de outros, vamos tentar representar os jogadores da melhor maneira e passar os nossos interesses também para o pessoal lá de cima da ATP", explicou Borges.
Num comunicado, a APT sublinhou que o conselho, que faz recomendações à direção da organização, vai reunir-se pela primeira vez este ano em Melbourne, antes do Open da Austrália, que arranca em 12 de janeiro.
"Portanto, nem lhe consigo dizer exatamente como é que está a cabeça dos jogadores, se estão muito revoltados ou não, mas eu creio que não", disse o português.
Em março, a Associação de Jogadores Profissionais de Ténis (PTPA, na sigla em inglês), juntamente com cerca de 20 outros intervenientes, interpôs uma ação judicial nos Estados Unidos, no Reino Unido e na União Europeia (UE).
O processo visa os operadores dos circuitos feminino e masculino, a Federação Internacional de Ténis, a Agência Internacional para a Integridade do Ténis e os quatro maiores torneios do mundo, os Grand Slam.
A PTPA acusou estas organizações de "abusos sistémicos, práticas anticoncorrenciais e um flagrante desrespeito pelo bem-estar dos jogadores", devido a "um calendário insustentável" com torneios em 11 meses do ano.
O processo exige uma maior fatia das receitas para os tenistas e alega que as atuais regras "limitam os prémios monetários atribuídos pelos torneios e restringem a capacidade dos jogadores de ganhar dinheiro fora do campo".
"Acho que isso, por incrível que pareça, transcende um bocadinho aqui o nosso mundo. Acho que as coisas aqui estão todas muito tranquilas (...) Antes de dizer que não e que está tudo mal, é preciso saber o porquê das coisas e é um bocadinho disso que eu vou à procura também", explicou Borges.
A PTPA foi fundada em 2020 pelo canadiano Vasek Pospisil, entretanto já retirado, e pelo sérvio Novak Djokovic, vencedor de 24 torneios do Grand Slam. Mas, no domingo, o tenista de 38 anos anunciou a saída da associação.
"Esta decisão deve-se a preocupações persistentes com a transparência, a governação e a forma como a minha voz e imagem têm sido representadas. Tornou-se claro que os meus valores e a minha abordagem já não estão alinhados com a atual direção da organização", escreveu Djokovic, num comunicado publicado nas redes sociais.