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Antigo tenista suíço lembra com saudade os duelos com o espanhol, que vai colocar um ponto final na carreira este mês
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Roger Federer colocou um ponto final na carreira em 2022 e, esta terça-feira, recorreu às redes sociais para, através de uma emotiva carta, se despedir de Rafael Nadal, seu eterno rival dentro de campo e grande amigo fora dele, que vai dizer adeus à modalidade este mês. Numa longa mensagem, o antigo tenista suíço lembra com saudade os duelos em terra batida, os "rituais" do espanhol e outras recordações que ambos partilharam.
"Depois do Open da Austrália de 2004, atingi o primeiro lugar no ranking pela primeira vez. Pensei que estava no topo do mundo. E estava - até dois meses depois, quando entraste no campo em Miami com a tua camisola vermelha sem mangas, a mostrar os teus bíceps, e me venceste de forma convincente. Todo aquele burburinho que eu tinha ouvido sobre ti - sobre este incrível jovem jogador de Maiorca, um talento de geração, que provavelmente iria ganhar um Major um dia - não era só um exagero. Estávamos ambos no início da nossa viagem e acabámos por percorrê-la juntos. Vinte anos depois, Rafa, tenho de o dizer: que percurso incrível que tiveste. Incluindo 14 Opens de França - histórico! Deixaste Espanha orgulhosa... deixaste o mundo do ténis orgulhoso", pode ler-se num excerto da carta partilhada por Federer.
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Leia a mensagem de Roger Federer na íntegra:
"Rafa,
Enquanto preparas o teu adeus ao ténis, tenho algumas coisas para partilhar antes de me emocionar.
Comecemos pelo óbvio: venceste-me - e muito. Mais do que consegui vencer-te. Desafiaste-me de uma forma que mais ninguém conseguiu. Na terra batida, parecia que estava a entrar no teu quintal e fizeste-me trabalhar mais do que alguma vez pensei ser capaz só para me aguentar. Fizeste-me reimaginar o meu jogo - chegando mesmo a mudar o tamanho da cabeça da minha raquete na esperança de obter alguma vantagem.
Não sou uma pessoa muito supersticiosa, mas tu levaste isso para o próximo nível. Todo o teu processo. Todos os rituais. Montar as garrafas de água como soldados em formação, arranjar o cabelo, ajustar a roupa interior... Tudo isso com a maior intensidade. Secretamente, adorava aquilo tudo. Porque era tão único - eras tão tu.
E sabes que mais, Rafa? Fizeste-me gostar ainda mais do jogo.
Talvez não no início. Depois do Open da Austrália de 2004, atingi o primeiro lugar no ranking pela primeira vez. Pensei que estava no topo do mundo. E estava - até dois meses depois, quando entraste no campo em Miami com a tua camisola vermelha sem mangas, a mostrar os teus bíceps, e me venceste de forma convincente. Todo aquele burburinho que eu tinha ouvido sobre ti - sobre este incrível jovem jogador de Maiorca, um talento de geração, que provavelmente iria ganhar um Major um dia - não era só um exagero.
Estávamos ambos no início da nossa viagem e acabámos por percorrê-la juntos. Vinte anos depois, Rafa, tenho de o dizer: que percurso incrível que tiveste. Incluindo 14 Opens de França - histórico! Deixaste Espanha orgulhosa... deixaste o mundo do ténis orgulhoso.
Não paro de pensar nas recordações que partilhámos. A promoção do desporto juntos. Jogar aquele jogo em meia-relva, meia-terra batida. Bater o recorde de assistência ao jogar perante mais de 50 mil adeptos na Cidade do Cabo, na África do Sul. Sempre a 'picarmo-nos' um ao outro. A desgastarmo-nos mutuamente no campo e, por vezes, quase literalmente, a termos de segurar um no outro durante as cerimónias de entrega dos troféus.
Ainda estou grato por me teres convidado para ir a Maiorca ajudar a lançar a Rafa Nadal Academy em 2016. Na verdade, fui eu que me convidei. Sabia que eras demasiado educado para insistir na minha presença, mas não queria faltar. Sempre foste um modelo para as crianças de todo o mundo e eu e a Mirka estamos muito contentes por os nossos filhos terem treinado nas tuas academias. Eles divertiram-se imenso e aprenderam muito - tal como milhares de outros jovens jogadores. Embora sempre me preocupasse que os meus filhos voltassem para casa a jogar ténis como esquerdinos.
E depois houve Londres - a Laver Cup em 2022. O meu último jogo. Significou tudo para mim o facto de teres estado ao meu lado - não como meu rival, mas como meu parceiro de pares. Partilhar o court contigo naquela noite e partilhar aquelas lágrimas será para sempre um dos momentos mais especiais da minha carreira.
Rafa, sei que estás concentrado na última parte da tua carreira épica. Falaremos quando ela estiver concluída. Por agora, quero apenas felicitar a tua família e a tua equipa, que tiveram um papel fundamental no teu sucesso. E quero que saibas que o teu velho amigo está sempre a torcer por ti e que vai torcer sempre muito por tudo o que fizeres a seguir.
Vamos, Rafa!
Felicidades para sempre. O teu fã,
Roger".
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