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Carlos Alcaraz e Novak Djokovic trocaram este domingo elogios na cerimónia de entrega de prémios do Open da Austrália, com o campeão e o finalista derrotado a enaltecerem também a presença do retirado tenista Rafael Nadal.
"Ver-te é verdadeiramente inspirador. Gosto tanto de te ver jogar e de partilhar o court contigo. Obrigada por aquilo que fazes", disse o número mundial, no início do seu discurso de vitória.
Antes, Djokovic já tinha parabenizado Alcaraz, que o derrotou com os parciais de 2-6, 6-2, 6-3 e 7-5, em três horas e dois minutos, "por um torneio incrível".
"O que tens estado a fazer é histórico, lendário. Desejo-te a maior das sortes para o resto da tua carreira. És jovem, como eu, por isso tenho a certeza que nos vamos cruzar muitas vezes nos próximos 10 anos", brincou o mais velho finalista em Melbourne Park na Era Open.
'Djoko' procurava tornar-se hoje, aos 38 anos e 255 dias, no tenista mais velho a vencer um 'major' e no recordista único de títulos do Grand Slam (lidera em masculinos, mas está empatado com Margaret Court, tendo ambos 24), mas quem prevaleceu foi 'Carlitos'.
Aos 22 anos e 272 dias, o murciano converteu-se no mais jovem tenista a completar o Grand Slam de carreira, destronando o compatriota Rafael Nadal, hoje presente nas bancadas da Rod Laver Arena.
"Para mim também é estranho ver o Rafa nas bancadas, é a primeira vez a nível profissional, porque sei que me viste quando eu tinha 15 anos. Infelizmente, não tivemos muitos encontros, mas, para mim, foi uma honra partilhar treinos, balneário contigo. É um privilégio ter-te aqui", admitiu o espanhol, corroborando uma ideia expressa por Djokovic pouco antes.
O sérvio foi o primeiro a falar para o seu antigo arquirrival, a quem 'roubou' o estatuto de recordista de títulos do Grand Slam quando conquistou Roland Garros em 2023, o ano em que ganhou o seu último 'major', o Open dos Estados.
"Quero dirigir-me ao lendário Rafa, que está nas bancadas. Obviamente é muito estranho ver-te aí e não aqui. Foi uma honra partilhar o court contigo e ter-te a ver a final. É a primeira vez para mim, é um sentimento estranho, mas obrigada por estares presente", declarou.
Em jeito de brincadeira, o sérvio lançou: "São demasiadas lendas espanholas, senti que estava a jogar contra dois hoje".
Até hoje imbatível em finais em Melbourne Park, o 10 vezes campeão do Open da Austrália confessou não saber como "será o amanhã" nem onde estará daqui a um ano, despedindo-se do público australiano com um "adoro-vos". "Foi uma grande caminhada", garantiu.
Menos efusivo do que o experiente 'Djoko', Alcaraz quis agradecer à sua equipa técnica, 'desfalcada' de Juan Carlos Ferrero, o seu treinador de sempre de quem se separou no final da época passada.
"Ninguém sabe quão duro tenho trabalhado para conquistar este troféu [...]. Foi um carrossel de emoções, não ouvimos nada do que foi dito antes de virmos para a Austrália", revelou, numa alusão às profecias de vários especialistas e adeptos, que acreditavam que o espanhol não ganharia outro 'major' sem Ferrero.
O mais jovem número um mundial de sempre -- tinha 19 anos quando ocupou pela primeira vez a liderança do ranking - somou o seu sétimo 'major', depois dos conquistados em Roland Garros (2024 e 2025), Wimbledon (2023 e 2024) e US Open (2022 e 2025), e igualou, entre outros, os carismáticos John McEnroe e Mats Wilander.
"Este troféu também é vosso", disse na direção da sua equipa.
Por Lusa