Nuno Borges qualificou-se esta quinta-feira para o quadro principal de Roland Garros, em Paris, e no final do encontro mostrou-se naturalmente contente com o feito e analisou o encontro de forma bem positiva.
"É um sentimento muito especial, não há muito a dizer. Estou a surpreender-me, mesmo à grande, não pensei qualificar-me. Não têm sido as minhas condições favoritas, não tenho jogado sempre o meu melhor ténis. Mas pelo menos sinto que estou em boa forma. Isso tem pago os jogos. Isso tem me dado pontos, para além da minha motivação e do querer, que têm estado sempre lá", confessou ao nosso jornal no final do encontro.
O português mostrou-se ainda naturalmente contente com a forma como geriu o encontro. "Um bocadinho nervoso, às vezes um bocadinho aquém daquilo que gostaria de estar a jogar. Mas sabia que tinha muito encontro ainda para ser jogado quando perdi aquele primeiro set. Sabia que tinha de me manter focado e acreditar que, tal como nos outros dois jogos, tinha boas hipóteses de ganhar. Depois com alguma sorte, com alguém desgastado físico do adversário, consegui fazer a diferença e sair com uma vitória bastante confortável no terceiro set", assumiu, antes de tentar explicar de onde vem a sua força mental: "Não é sempre possível e não faço sempre. Mas é mais fácil quando estou num palco destes, em Roland Garros, num torneio muito importante, em estreia. Para mim é muito especial e com todos os portugueses que me estavam a apoiar, é sempre mais fácil ter uma mentalidade positiva e acreditar que é possível".
Borges explicou ainda como lidou com os problemas físicos do rival no terceiro set. "É uma motivação extra sem dúvida porque sinto que o jogo está mais nas minhas mãos. Mas também há aquela hesitação de não cometer demasiados erros, não falhar demasiado cedo. Às vezes querer alterar o meu jogo para ganhar, mas acho que lidei bem com isso. Senti que tinha de fazer o meu jogo, manter a agressividade e não fazer nada muito extra que ele entrou naquele desgaste e se eu controlar há de correr bem".
E agora, quais os objetivos? "Sem expectativas. É a minha primeira vez, o meu primeiro jogo a melhor de cinco sets. Espero apenas estar à altura do encontro. E venha quem vier, vou sem dúvida desfrutar ao máximo porque vai ser uma experiência incrível para mim", admitiu, revelando ainda que seria feliz quer defrontando alguém mais acessível, quer encarando um tenista de topo. "Seria feliz das duas maneiras. Mas se calhar apanhar um Nadal ou um Djokovic para garantir um jogo num Central era incrível, mas lá está não posso escolher. Estarei satisfeito com qualquer adversário".
Segue-se um período de recuperação e preparação: "Há que recuperar ao máximo. Depois sexta e sábado é só gerir conforme o desgaste e as necessidades técnicas e mentais entre outros aspectos. Mas tenho de estar pronto para jogar domingo, ou segunda, ou terça. Eu estou bem, tenho um ou dois dias para recuperar, estou confortável".
O português admite o bom momento do ténis português, com três tenistas lusos garantidos no quadro principal (um deles em pares). "Acho que sim. E acho que podem contar com a nossa presença em mais Grand Slams. O Pedro (ndr: Sousa) estava quase a garantir o apuramento e o Gastão também não esteve longe. Acho que o ténis português está bem".