_
É jovem, tem a vida toda pela frente, mas é já um caso sério de talento no triatlo português e está também a tirar um dos cursos mais exigentes, o de Medicina. João Silva acaba de terminar a sua melhor temporada de sempre como 5.º do Mundo, resultado garantido no fim-de-semana em Budapeste. Não tem pressa de nada, muito menos em participar no maior evento desportivo do globo.
“Naturalmente que gostaria de um dia poder estar presente, mas neste momento não vivo obcecado com os Jogos Olímpicos”, confessou o triatleta da Benedita, para quem outros valores falam mais alto: “Sempre fui assim, estou aqui, no triatlo, porque acima de tudo gosto de praticar desporto”.
Aos 21 anos, João Silva está pois lançado para uma carreira desportiva promissora, mas tem de dividir o triatlo com a vida académica. “Cheguei agora de Budapeste e já vou ter de me agarrar aos livros. Ainda este mês tenho cinco exames para fazer do 2.º ano. Estou a ver as coisas muito complicadas, pois contam-se pelos dedos da mão os dias em que estive em casa desde junho”, explicou.
Surpresa
A excelente época que realizou em 2010 deixou o triatleta do Olímpico de Oeiras surpreendido. “Tenho conseguido superar-me. No início não acreditava que pudesse chegar aqui. As coisas correram muito bem, não quer dizer que no próximo ano seja igual”, confessou João Silva, que se sagrou campeão europeu de Sub-23 em agosto.
O jovem iniciou-se no triatlo em 2005, através do programa Deteção de Talentos, organizado pela Federação de Triatlo de Portugal (FTP) desde essa altura. “Isto é superviciante, é brutal praticar esta modalidade e quando os resultados aparecem é difícil parar”, explicou o estudante de Medicina, que reside há alguns anos no Centro de Alto Rendimento (CAR) do Jamor, a sua segunda casa. Antes do triatlo, praticou natação em Rio Maior – “por recomendação médica, pois tinha alguns problemas na caixa torácica”, explicou – e futebol.
Saída. Quanto à saída de Sérgio Santos da FTP – cessou funções de DTN –, João Silva foi parco em palavras. “Teve as razões dele, só temos que as respeitar”, disse.