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Quem entra na Federação de Triatlo de Portugal (FTP), em Caxias, depressa se apercebe da azáfama que ali se vive. Faltam apenas três semanas e meia para o Campeonato da Europa (10 e 11 de Maio) e todo o tempo é pouco para se montar um evento desta envergadura, que voltará a levar ao Parque das Nações a elite da modalidade, após a experiência da Taça do Mundo de 2007.
Pela primeira vez na história do evento não haverá comité organizador, cabendo a montagem e logística de toda a competição à Federação de Triatlo de Portugal (FTP). O trabalho é muito, todos os seus funcionários estão concentrados no Europeu, mas as maiores dores de cabeça têm origem no que, afinal, acaba por ser o pilar de toda uma organização: o dinheiro.
“É difícil organizar eventos deste género em Portugal que não sejam os do futebol. Constatamos que não basta termos bons atletas, uma Vanessa Fernandes, uma modalidade com visibilidade aceitável e espectacular, cinco horas de transmissão televisiva e difundida para 161 canais internacionais. Na teoria reunimos todas as condições para uma organização bem sucedida no plano financeiro”, diz José Luís Ferreira, presidente da FTP desde 1996.
“Fizemos mais de 50 reuniões com empresas e agentes, mas o resultado é negativo. O nosso maior desalento vai para a sociedade civil. É certo que a crise financeira do País explica muita coisa, mas não tudo”, sublinha o líder da FTP, que esperava também maior apoio por parte do Estado através do Instituto do Desporto (IDP).
“O IDP financia o Europeu de triatlo em 41 por cento, mas eventos de menor projecção receberam valores superiores. Por exemplo, o Europeu de Judo e o Tiago Monteiro”, refere o dirigente, para quem os 185 mil euros concedidos pelo Governo “nem sequer chegam como pagamento às empresas com capitais do Estado envolvidas no evento, como o Pavilhão Atlântico e a RTP. Os elogios que fazem ao modo como trabalha a federação acabam por não ter reflexos na prática”.
Incentivo
Mas, para José Luís Ferreira, tenente-coronel na reserva, mesmo todos estes entraves não chegam para abalar o ânimo de quem deseja fazer do Europeu de triatlo um grande êxito organizativo e desportivo. “Nada nos abala e estas dificuldades transformam-se em incentivos. Vamos trabalhar para que este seja se não o melhor, um dos melhores Europeus de sempre, e super as três medalhas conquistadas no ano passado.”
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