Pedro Basílio perdeu parte da perna direita num acidente de viação há 14 anos, mas a força de vontade e o espírito de sacrifício levaram-no a superar as limitações e a entrar no triatlo de alta competição.
No sábado, na prova de paratriatlo dos Mundiais, a decorrerem em Budapeste, na Hungria, Pedro Basílio é o único português inscrito para a competição, com os segmentos de natação.
Mas, para se tornar no primeiro atleta português portador de deficiência a ser selecionado para o campeonato do Mundo, Pedro Basílio teve de vencer "muitos obstáculos", depois da amputação da perna direita.
"Ter sido amputado foi imposto pelo destino e, a partir daí, só me restou ir lutando para ultrapassar tudo", recordou Pedro Basílio à agência Lusa.
Com 40 anos, o atleta de desporto adaptado lembrou que, no início, houve uma altura em que pensou que "tinha acabado tudo sem uma perna, que a vida tinha ido por água abaixo".
"Os amigos apoiaram-me e acreditei que podia fazer mais alguma coisa e sobreviver àquilo. Comecei a trabalhar o físico e a melhorar psicologicamente", disse.
Pedro Basílio disse que teve de se sacrificar muito, dedicando muitas horas de treino e "abdicando da família".
"O sacrifício já é natural em nós. Às vezes, não sabemos que temos essa capacidade de sacrifício e não a tiramos de lá de dentro. Consoante as necessidades, vamos buscar um bocadinho de mais força e descobrimos que temos mais ainda. É preciso é acreditar e consegue-se sempre um bocadinho mais", afirmou.
Pedro Basílio revelou alguma surpresa por estar em Budapeste integrado na seleção portuguesa de triatlo, um desporto que diz ser à sua "medida".
"É um desporto de resistência. Tenho todas as características para ser atleta de resistência. Adapto-me bem a este tipo de provas", salientou.
Confessando que não tem quaisquer "constrangimentos" em competir em Portugal ao lado de atletas sem limitações, Pedro Basílio declarou que sempre teve o "objetivo de apenas fazer" o que fazia antes de perder parte do membro inferior.
"Com as limitações que tenho, o desafio era conseguir superá-las e ter uma vida normal, conseguir fazer as mesmas coisas que fazia antes ou mesmo melhor. Conseguia arranjar forças e continuar a lutar", disse.
E é com a mesma perseverança com que encara as provas, mesmo que a prótese para o atletismo lhe provoque feridas.
"O meu lema é chegar ao fim sempre. Somos todos competitivos e nenhum de nós quer perder por nada, é natural. Se podemos chegar mais à frente, chegamos. Esforço-me por chegar ao fim", disse, rejeitando a desistência.
"Com ou sem limitações, nem que seja o último", conclui.