RECORD – É verdade que ofereceu os seus serviços à federação russa?
SÉRGIO SANTOS – É totalmente falso. Quando fui confrontado com a notícia, de imediato mandei um e-mail ao presidente da federação russa, que se mostrou disponível para esclarecer a situação...
R – A federação russa abordou-o?
SS – Sim, mas em nenhuma situação concreta, apenas dizendo que teriam um projeto para desenvolver... Desde 2008 que tenho colaborado com a Federação Internacional em ações de formações e tenho de admitir que várias federações me contactaram para saber da minha disponibilidade no final do ciclo olímpico de 2008... Desde que me desvinculei da FTP, em Portugal e fora de Portugal, dentro do triatlo e dentro de outra modalidade, fui surpreendido por vários contactos. Não preciso, ao contrário do que o presidente diz, de me andar a oferecer. Tenho sido procurado, mas a minha resposta tem sido a mesma, não, não e não...
R – Outra acusação: anda a aliciar os atletas, nomeadamente os bolseiros?
SS – Também é completamente falso. Neste momento sabemos quem são os bolseiros. A Vanessa, o João Silva, o Bruno Pais e o Duarte Marques. A Vanessa tem novo enquadramento, tem estado em casa. O Duarte tem também o dele, tem estado a funcionar com o José Mário Ribeiro e muito bem. O Bruno Pais aceitou agora um convite para integrar a equipa técnica da FTP e disse-lhe já ter entendido essa opção.
R – Resta o João Silva...
SS – Nunca aliciei o João. O que disse a todos eles e não só ao João Silva, é que estaria disponível, mas eles é que teriam de tomar essa decisão. Quando pedi para não renovarem a minha licença não foi com a intenção de treinar os atletas que eram enquadrados pelo estrutura da FTP. O papel foi invertido. Quem efetivamente colocou pressão nos atletas foi o José Luís Ferreira. Não é por acaso que acontece uma reunião de urgência, logo a seguir ao Mundial, em que foi claramente transmitido aos atletas que, estando no CAR, não estão autorizados a serem enquadrados por técnicos fora da FTP... Não os tenho contactado ultimamente precisamente para não ser interpretado como uma forma de pressão.
R – Com que intenção o presidente da FTP faz estas acusações?
SS – Não faço ideia. Mas só pode ser denegrir a minha imagem. Já tive algumas conversas com ele, nomeadamente durante o Mundial de Budapeste e depois disso e nada me foi transmitido. Se tinha alguma coisa a dizer, se não estava satisfeito, devia ter tido a coragem de me mandar embora, mas nunca teve nada para me apontar. Os objetivos foram sempre cumpridos e os resultados apareceram. Dei o passo de não continuar porque senti que não era desejado, porque estava a ser um entrave à forma como o José Luís Ferreira ia gerir as questões do alto rendimento. Acusou-me ainda de aliciar os atletas no sentido de continuar a receber bolsas. Que bolsas? Nunca recebi uma única enquanto trabalhei para a FTP. O José Luís Ferreira sabe muito bem que essa bolsa era integrada no meu vencimento. Tinha de emitir um recibo verde de uma bolsa que não recebia e que estava integrada no meu vencimento.
R – É verdade que vai dirigir o CAR de Rio Maior?
SS – Quando no mês de julho falei com o presidente para não me ser renovada a licença, foi com a intenção de regressar ao ensino e regressar à rotina familiar. Ao longo dos tempos vários convites foram aparecendo e acabou por surgir um projeto nacional de grande dimensão que tem argumentos para marcar a diferença: fazer a ponte entre o que é o ensino, alto rendimento e desenvolvimento desportivo. Nada mais posso adiantar.
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