A idade do tigre

A idade do tigre
• Foto: manuel azevedo

Filipe Vitó, técnico do Sp. Espinho, explica desde já o mais importante: “Um jogador de alta competição é como um carro, não pode ficar muito tempo na garagem pois estraga-se e depois não pega.” Bira (Ubirajara Pereira), Miguel Maia e Hugo Ribeiro, os veteranos dos tigres, ainda não pararam e nem gostam de falar num eventual final. Quem os vê treinar, na nave de Espinho, distante do antigo pavilhão que era um inferno para os adversários, hoje transformado em ruína, não pode duvidar. E se duvidar tem sempre Vitó pronto para esclarecer tudo. “Eles são a base de sustentação da equipa, são os seus pilares”, sublinha o treinador, que jogou com todos eles. “Se calhar não devia abrir-me tanto mas conheço-os bem e a nossa confiança é total. E a verdade é que, para além de serem muito competitivos e de terem uma boa atitude de treino, todos estão aqui de corpo e alma e são a sustentabilidade desta equipa”, detalha quem aspira pelo menos a ficar nos quatro primeiros classificados da fase regular.

“O Bira, por exemplo, veio ter connosco no início de novembro e eu sabia que ia chegar a janeiro já a subir bastante, o Hugo todos também conhecem e o Miguel foi o melhor jogador português de voleibol de sempre e continua a ser um dos melhores do campeonato”, são ainda palavras de Filipe Vitó, também ele um antigo jogador de excelência. “A idade guarda-se e aqui em Portugal devíamos pensar mais um bocadinho à italiana, onde nos desportos coletivos os jogadores perduram mais”, acrescenta.

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Bira: «Motivação é o mais importante»
(44 anos)

Bira é um globetrotter do voleibol. Chegou a Portugal em 1991 e vestiu várias camisolas: Nacional, Sporting, Esmoriz, C. Maia, V. Guimarães e agora o Sp. Espinho. Passou ainda pelo Barcelona e também por equipas do Chipre e do Qatar. Depois de uma paragem, retornou há dois anos e continua a rematar na rede e a blocar como só ele sabe. “O que posso dizer? Sinto-me bem, cuidar do corpo foi sempre algo que fiz e tenho procurado manter uma boa condição física, o que alio à paixão que tenho pela modalidade”, diz a Record o luso-brasileiro que já tem um filho a jogar no Benfica. “No futebol seria impensável estar a jogar a este nível; no vólei também não é muito normal, mas tenho sorte porque nunca tive muitas lesões e continuo a treinar e a jogar com alegria e prazer”, explica. “O mais importante é a motivação que sinto.”

Miguel Maia: «Descansar para treinar»
(43 anos)

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Duas vezes 4.º classificado nos Jogos Olímpicos, na variante de praia, com João Brenha, e hexacampeão nacional em pavilhão por três equipas diferentes, Miguel Maia até dispensava esta apresentação. O atleta completa 44 anos em abril mas continua a competir ao mais alto nível. “Sinto-me bem, sempre me cuidei, tenho organização de desportista profissional e conheço bem o meu corpo – agora, é só uma questão de saber geri-lo”, diz, explicando a sua longevidade. “O cuidado que tinha com 17 ou 18 anos é o que tenho agora, isto é, descanso não apenas para jogar, como muitos, mas também para treinar”, destaca aquele que continua a ser o motor de uma equipa “ambiciosa e que tem o poder da experiência de jogadores que viveram grandes momentos e que continuam com vontade de vencer”. Um Sp. Espinho habituado a ganhar mas que esta época tem um objetivo bem definido. “Não nos preparamos para lutar pelo título, só vamos tentar ficar nos 4 primeiros mas há 5 equipas a lutar por isso.” Um pouco antes, Bira, quando lhe dissemos que esta época o Sp. Espinho não luta pelo título, tinha tido uma reação diferente, a que juntou um grande sorriso: “Porquê?”

Hugo Ribeiro: «Apontar o caminho do sucesso»
(37 anos)

É o “caçula” dos veteranos dos tigres da Costa Verde. Hugo Ribeiro tem 37 anos e uma carreira quase toda feita no Sp. Espinho, com passagem por Esmoriz e Castelo da Maia. “Comecei a jogar já com 15 anos, o que não é muito normal”, informa, como que dizendo que agora está a compensar este início tardio. Ser um dos mais velhos da equipa não o incomoda. “Acho que acrescentamos responsabilidade e alguma maturidade, procuramos passar aos mais novos o que foi e ainda é a nossa carreira”, diz. “Estamos aqui para mostrar como se podem fazer as coisas para se chegar ao sucesso”, acrescenta, um tanto triste por verificar que no vólei dos tigres “se calhar perdeu-se alguma mística desde que saímos do nosso pavilhão junto ao mar, a nossa ‘La Bombonera’, onde os nossos adversários conheciam o inferno”. Numa cidade que respira voleibol, a principal equipa de futebol definha no CNS.

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Miguel Maia: «Houve um decréscimo muito grande»

Enquanto Bira considera que nos últimos 20 anos o voleibol português evoluiu, Miguel Maia entende que a situação “não é boa nesta e noutras modalidades”.

“Houve um decréscimo muito grande. Temos duas equipas fortes (Benfica e Fonte), que podiam estar a lutar noutros campeonatos, e depois três num patamar aceitável mas diferente do anterior: Sp. Espinho, Madalena e Castelo da Maia. Depois, há outro patamar de equipas que de repente podem ganhar às três que referi, existindo ainda um outro nível, onde estão a Ac. Espinho e o Clube K, que lutam com muitas dificuldades.”

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