Lucas França reage ao alegado insulto racista no Espinho-Benfica: «Quem fez, sabe o que fez»

Jogador da equipa de voleibol do Benfica pede que a Federação tome medidas para que não volte a acontecer episódios semelhantes

Lucas França
Lucas França • Foto: Luis Branca
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Lucas França reagiu, através de uma longa publicação nas redes sociais, ao alegado insulto racista de que disse ter sido vítima no duelo de ontem entre Espinho e Benfica, a contar para os quartos de final do playoff do campeonato nacional de voleibol. O central brasileiro das águias condenou o sucedido e garantiu que, apesar de não ter sido identificado, o "responsável" "sabe o que fez". O jogador pediu ainda que a Federação de Voleibol tome medidas para que não haja atos de racismo nos pavilhões em Portugal. 

Recorde-se que, no decorrer do quarto set, Lucas França disse ter sido insultado e acabou por servir para fora. "Chamou-me de macaco, falou do meu cabelo, não pode", protestou junto ao banco de suplentes do Benfica. Depois da disputa de mais alguns pontos, o encontro acabou mesmo por ser interrompido, com o brasileiro, visivelmente irritado com a situação, a pedir para que identificassem o autor do insulto.

Leia a reação de Lucas França na íntegra: 

"Como atleta, sei muito bem que sou um produto exposto em uma vitrine, disponível ao público para entretenimento. E, por estar nessa vitrine, estou sujeito a aplausos e críticas - isso faz parte da minha vida. Porém, quando essas 'críticas' envolvem a cor da pele ou o cabelo deixam de ser críticas e passam a ser racismo. O desporto ensinou-me muito e ajudou a moldar quem eu sou. Fui educado pela minha mãe a respeitar o próximo e a tratar bem as pessoas. Com Cristo aprendi também a não retribuir agressões na mesma moeda.

No entanto, ontem, essa agressão ultrapassou uma barreira. Não reagi de forma agressiva, mas trouxe à luz, naquele momento, o que aconteceu, para que as pessoas responsáveis pela condução do espetáculo - especialmente na ausência de policiamento - pudessem agir. Sei que o episódio não representa os valores dos atletas e diretores do Espinho , pois, assim que comuniquei o ocorrido ao árbitro e à mesa, saíram em minha defesa e procuraram identificar o responsável. Infelizmente, entre tantas pessoas presentes, não foi possível encontrá-lo - mas quem fez sabe o que fez.

Agradeço ao Benfica pelo apoio e suporte imediato. Aos meus colegas de equipa, comissão técnica e direção, obrigado por estarem ao meu lado nesse momento. Espero que a federação tome as medidas necessárias para que isso não volte a acontecer, nem em Espinho nem em qualquer outro pavilhão em Portugal. Não há mais espaço para isso - atitudes assim empobrecem o desporto. Obrigado a todos os que enviaram mensagens de apoio e demonstraram respeito".

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