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Campeões entre os jovens com pronúncia do Norte

Campeões entre os jovens com pronúncia do Norte
• Foto: BRUNO PIRES

Nenhuma modalidade, pelo menos nas de pavilhão, tem tanta influência a norte do país como o voleibol. A sede da Federação é no Porto e a grande maioria dos principais clubes está também fixado nesta região. Senão vejamos: das 12 equipas da 1.ª Divisão masculina, apenas quatro não são do Norte – o Benfica, de Lisboa, e as insulares Marítimo (Madeira), Fonte Bastardo e Clube K (ambas dos Açores). O panorama não é muito diferente no feminino, com Belenenses, Lusófona (ambas de Lisboa), Ribeirense (Açores) e Câmara Lobos (Madeira).

Mas como as equipas principais são, ou pelo menos deviam ser, “alimentadas” pelos escalões de formação, o domínio da região Norte é ainda mais notório, como prova o quadro dos campeões dos últimos anos. Só a espaços as formações a sul do Mondego conseguem furar este domínio, como foi, por exemplo, o caso do Benfica, campeão masculino de juvenis na temporada de 2009/10, ou ainda a equipa feminina da Lusófona VC, detentora do título de juniores em 2007/08.

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Leixões é rei

Entre os clubes que mais apostam na formação, há um que salta à vista, não só pelo número de títulos, como por ser um dos históricos da modalidade. Falamos do Leixões, que tem voleibol desde 1945, sendo praticado por mais de duas centenas e meia de atletas, em todos os escalões e em ambos os sexos. Devido à conjuntura económica, o clube de Matosinhos foi perdendo competitividade na 1.ª Divisão, não evitando a descida à 2.ª Divisão.

Esmoriz, Ac. São Mamede, Gueifães, Sp. Braga, Santo Tirso e Fiães são outros dos clubes com pronúncia do Norte que têm papel decisivo na formação e com títulos conquistados.

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Face a esta realidade, é com naturalidade que a Associação de Voleibol do Porto domina em termos de federados. Em 2013 e no que concerne aos escalões jovens, tinha 21.427 praticantes, número muito acima dos 1.893 de Lisboa, a segunda maior em número de federados. Curiosamente, a terceira associação regional neste parâmetro é a do Alentejo, com 1.729.

Gira-Volei

A Federação tem procurado implementar um política para a formação, para que não seja exclusiva dos clubes, pois a crise tem originado que as modalidades sofram grande retrocesso neste aspeto. E para que a situação não se agrave ainda mais, a FPV tem posto em prática algumas iniciativas, sendo a principal o programa Gira-Volei, que se destina a jovens entre os 8 e 15 anos que querem iniciar-se na modalidade. Em 2004, ano em que foi posto em prática o projeto, quase 8 mil jovens aderiram ao mesmo. O número sofreu depois algumas oscilações – desceu nos dois anos seguintes, voltando a aumentar –, estando agora fixado em 8.349 (em 2013), número só superado pela associação do Porto.

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TRÊS PERGUNTAS A...

Mário Martins: «A crise pode até ser boa»

RECORD – O voleibol tem pouca expressão em algumas regiões do país. Será também este um dos males da modalidade?

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MÁRIO MARTINS – Por questões de tradição, a modalidade está enraizada a Norte. Em Lisboa e, no masculino, o investimento tem sido nas equipas principais e não na formação. Num país pequeno, se limitamos o raio de escolha, é um impedimento ao crescimento.

R – O Leixões dá cartas na formação. Qual o segredo?

MM – O voleibol é uma coisa normal na cidade e no clube. A maior parte dos títulos na formação foram conquistados nos últimos 15 anos. Herdámos a cultura e a tradição e depois acrescentámos uma boa dose de trabalho. Somos um dos clubes com mais horas de treino.

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R – A crise explica todos os males do desporto nacional?

MM – Acho até que a crise para o voleibol vai ser uma coisa boa. Obrigará todos a olhar para a formação e não apostar tanto em jogadores estrangeiros.

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