A Seleção Nacional inicia esta quinta-feira o Europeu, numa fase delicada de renovação, o que deixa o selecionador João José apreensivo quanto ao rendimento da equipa, mas também este facto implica novos desafios.
Em declarações aos meios da Federação (FPV), o técnico alertou: “É uma fase difícil como em qualquer transição, mas também tem sido interessante e tem sido um bom desafio. Estamos ainda numa fase inicial do processo, temos alguns atletas a conquistar o seu espaço, à procura de assumir a responsabilidade dentro de campo. Tem havido também uma ajuda grande dos atletas mais experientes nessa integração e nessa partilha de responsabilidades.”
João José acredita que a equipa vai continuar a lutar de igual para igual com outras selecções: “Estamos de facto num momento diferente daquele que era o momento do Europeu anterior. Mas isto faz parte do trabalho e esperamos conseguir ser mais uma vez competitivos neste Europeu. O objetivo desportivo é claro, queremos passar à próxima fase [oitavos de final], é a questão dos pontos no ranking, que condiciona o próximo Europeu, o próximo Mundial, temos que lidar também com essa expectativa. Este grupo de trabalho tem que encontrar esse caminho e esse caminho passa por neste Europeu conseguir passar à fase seguinte.”
Portugal vai entrar na competição com dois jogos muito duros, esta quinta-feira frente à Polónia, líder do ranking e que defende o título, e a seguir a Bulgária, anfitriã e vice-campeã mundial. João José diz que a equipa não se vai ressentir dessa exigência: “Na prática, essa ordem de jogos não faz grande diferença na preparação, mas a verdade é que nós quando começamos a competir nunca sabemos muito bem como é que vamos começar. O primeiro jogo é sempre um jogo tenso, a teoria diz que um jogo mais acessível é bom para entrarmos melhor, pois estamos nervosos, mas também entrar frente a uma equipa mais forte e candidata ao ouro também liberta um bocadinho a tensão, o que é uma falsa verdade, porque a gente vai entrar sempre com a tensão e com o sentido de responsabilidade de atingir um objetivo.”
João José sabe como funciona a cabeça dos seus pupilos: “Ninguém vai querer jogar mal contra a Polónia, ninguém vai querer jogar mal contra a Bulgária. Ou seja, vão querer entrar para jogar e para demonstrar que conseguem também ser competitivos com estas equipas, tenho a certeza disso.”
O antigo internacional pede atitude ao grupo que orienta: “Espero que consigamos entrar dentro de campos combativos e construir a passagem à fase seguinte, nada se vai definir no primeiro jogo, quer corra bem, quer corra mal, e temos que conseguir construir isso ao longo da competição. Por isso, espero que a equipa procure entrar de uma forma combativa e que vá à procura do seu espaço ao longo do jogo.”
A segunda cada do capitão
Alexandre Ferreira é o mais velho dos 14 jogadores que estão no Europeu. É também o capitão, ele que está de regresso ao voleibol português via Benfica. “A Seleção Nacional é como se fosse uma segunda casa, foi aqui que comecei é aqui que quero acabar, pelo menos enquanto tiver capacidade para ajudar”, disse.
Sobre as possibilidades de Portugal, Alexandre Ferreira reconhece que está inserido num “grupo difícil”, mas frisa: “é bom apanharmos logo estas seleções fortes. O objetivo é sempre passar à próxima fase, estamos confiantes e tenho a certeza que vamos conseguir".
Lista de convocados:
DISTRIBUIDORES - Diogo Fevereiro (Benfica) e Bruno Dias (Tourcoing VB/França)
LÍBEROS - Gonçalo Sousa (Sporting ) e Gonçalo Gomes (V. Guimarães)
CENTRAIS - Kelton Tavares (Sporting), Filip Cveticanin (SCM Zalau/Roménia), Guilherme Menezes (SP. Espinho) e Nuno Teixeira (V. Guimarães)
ZONA 4 - Lourenço Martins (Sporting), Tomás Teixeira (Benfica), Manuel Figueiredo (Zadruga Aich/Áustria) e André Pereira (Martigues VB/França)
OPOSTOS - Alexandre Ferreira (Benfica) e Rodrigo Costa (Castêlo da Maia)
Bulgária não facilita
O Europeu de 2026 já teve esta quarta-feira os seus primeiros encontros, com a Bulgária a cumprir em Sofia diante da Macedónia no arranque do Grupo B. A jogar em casa, os búlgaros não facilitaram, impondo-se por 3-0 (25-17, 25-19 e 25-18).
Já na Roménia, outro dos países anfitrião – Itália e Finlândia são os restantes –, a Letónia bateu a Roménia por 3-1 (26-24, 18-25, 25-21 e 26-24) no arranque do Grupo D.
Por Alexandre Reis