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Judit Polgar: «Custava mais aos grandes mestres perderem comigo do que com um homem»

A húngara Judit Polgar, de 45 anos, continua a ser considerada a melhor xadrezista feminina de sempre, tendo ocupado o top-10 do ranking mundial absoluto, sem distinção entre homens e mulheres.

Depois de abandonar a alta competição em 2014, dedicou-se à sua Fundação, apostada em usar o xadrez como ferramenta educacional.

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"O xadrez tem-se transformado, sendo um dos desportos em grande desenvolvimento. Pode ser jogado online e isso significou uma mudança muito importante. O xadrez é também muito mais que um jogo ou um desporto, é ciência e tem uma função educacional muito importante. O xadrez é algo que deve ser incluído no currículo de qualquer instituto ou faculdade", defendeu Judit Polgar, em entrevista ao diário espanhol ‘Marca’.

A xadrezista magiar justificou o seu raciocínio: "É importante praticar um desporto para melhorar a condição física, mas o mesmo acontece com o cérebro. O xadrez aparece nesse sentido, é uma linguagem para a todos. Proporciona muitas competências às crianças: autoconfiança, ajuda nas aulas de matemática, na tomada de decisões, aumenta a paciência, o respeito pelos outros."

Polgar falou ainda da sua emancipação no mundo do xadrez, tradicionalmente controlado pelos homens: "Comecei a jogar aos 5 anos, aprendendo com a minha fantástica família. Disseram-me que poderia conseguir tudo o que quisesse. Mas tive de lutar durante anos até me aceitarem, pois muitos dos adversários grandes mestres recusavam-se a cumprimentarem-me quando lhes ganhava as partidas, custava mais perderem comigo do que com um homem."

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O xadrez feminino tornou-se um desafio para Judit Polgar: "Acho mais prestigiante ser uma top-10 mundial absoluta, que ser campeã mundial feminina, porque as mulheres devem ter a mesma capacidade mental dos homens, o xadrez é um jogo mental, não deveria haver separação entre homens e mulheres. É uma questão de educação, mudar a atitude da sociedade em relação às meninas quando aprendem a jogar. Elas devem ter as mesmas expectativas e apoio que os meninos, é o maior passo que podemos dar. Todos podemos contribuir para que isso aconteça."

Judit Polgar também falou sobre a importância do talento e da forma de o potenciar através do trabalho: "Quando falamos de génios e prodígios, falamos de talento em primeiro lugar. É uma questão de sorte. O talento depende da pessoa, mas sem trabalho não se consegue nada. Qualquer pessoa e qualquer talento tem que trabalhar duro para alcançar o seu melhor."

Por Alexandre Reis
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