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Cristiano Ronaldo viveu no Real Madrid, no qual cumpriu a maior fatia dos seus quase 1.000 jogos, uma mágica relação de nove anos com o golo, à média inacreditável de mais de um por encontro.
Entre 2009/10 e 2017/18, o futebolista luso só precisou de 438 jogos para marcar 451 golos, ultrapassar mitos como Butragueño, Gento, Hugo Sánchez, Puskás, Santillana, Di Stéfano ou Raul e assumir-se como o rei dos goleadores do maior clube do mundo.
Ronaldo poderá, um dia, ser suplantado por alguém, que ainda estará por aparecer no futebol, mas porque os seus golos ajudaram a escrever 15 troféus, incluindo quatro edições da Liga dos Campeões, já ganhou um lugar na história dos merengues.
Os golos e os títulos, que viveram sempre a par, valeram-lhe a eternidade no Real Madrid e o reconhecimento planetário, em forma de mais quatro troféus de melhor do mundo (2013, 2014, 2016 e 2017), além de três Botas de Ouro.
Nos nove anos em Madrid, Ronaldo deu, assim, sequência ao que conquistara pelo Manchester United, só não se afirmando como incontestado número um mundial por culpa de Lionel Messi, que ali ao lado, em Barcelona, nunca o permitiu.
Ainda assim, nunca deu tréguas ao argentino, destacando-se desde o primeiro dia, mesmo antes de começar a jogar, quando, em 6 de julho de 2009, foi apresentado no Bernabéu, por Di Stéfano e Eusébio, perante mais de 85.000 espetadores nas bancadas.
Os jogos começaram e Ronaldo mostrou logo ao que vinha, marcando na estreia, em 29 de agosto de 2009, de penálti, na receção ao Deportivo (3-2), que foi o 409.º jogo da carreira, para, depois, voltar a faturar nos quatro jogos que se seguiram.
A primeira época, em termos globais, que disputou com o número 9 nas costas, acabou, no entanto, por não ser globalmente muito proveitosa, porque os 33 golos, em 35 jogos, não serviram para conquistar qualquer título.
Nos três anos seguintes, o Real Madrid teve no seu comando o treinador português José Mourinho e Ronaldo foi determinante nos três títulos conquistados, um em cada época, respetivamente a Taça do Rei, a Liga espanhola e a Supertaça.
O português marcou o golo da vitória (1-0) na final da Taça de 2010/11, face ao Barcelona (1-0), após prolongamento, no 505.º jogo da carreira, apontou 46 tentos na Liga 2011/12 e dois na Supertaça de 2012, novamente face ao Barça.
O Real Madrid esteve, porém, sempre na sombra do Barcelona, o que só mudou a partir de 2013/14, com a conquista, em Lisboa, da Liga dos Campeões, a famosa décima, que fugia aos merengues há muitos anos, mais precisamente desde 2001/02.
Na época seguinte, o Barça, já sem Guardiola, mas com Messi, Suárez e Neymar voltou a arrebatar a Champions, mas foi apenas uma interrupção no domínio dos blancos, que responderam com três troféus consecutivos -- quatro, em cinco anos.
Ronaldo, melhor marcador de seis edições consecutivas da Champions (2012/13 a 2017/18), foi um dos grandes responsáveis, se não o maior, pelo domínio do Real Madrid na principal competição europeia de clubes, que não se estendeu à Liga interna -- apenas ganhou duas edições da prova.
Em 26 de maio de 2018, após o 3-1 ao Liverpool na final da Champions, no 930.º jogo da carreira, o português ameaçou deixar o Real Madrid. Os problemas com o fisco e os assobios que por vezes escutou no Bernabéu terão ditado a vontade de partir, que se concretizou, 451 golos e 438 jogos depois.
Por LusaInternacional portuguesa em entrevista a Record
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