A auditoria

A auditoria

O “Negócios” noticiou ontem que o Sporting e o BCP, que é o seu maior credor (num valor ainda assim próximo do BES), estão a analisar a hipótese de conversão de dívida em marketing. Ou seja, se a negociação avançar, o Sporting cede espaço publicitário e, em troca, o BCP reduz a dívida do clube. E tudo isto acontece porque a dívida do Sporting se tornou gigante ao longo de muitos anos. Falemos da auditoria ao clube.

Os portugueses ouvem falar sobre a sua própria dívida pública, do seu valor elevado e sobre se ela é sustentável ou não. No Sporting é a mesma coisa: ao longo de muitos anos de défices (ou seja, de prejuízos), tudo ia sendo pago com dívidas aos bancos, até ao dia em que o valor era tão elevado, face à capacidade do clube pagar, que foi necessário fazer uma reestruturação. Uma não, várias.

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A última foi firmada já com Bruno de Carvalho, o mesmo que, na campanha eleitoral, que haveria de vencer, prometeu realizar uma auditoria de gestão. Nas últimas semanas, foram sendo publicadas notícias segundo as quais os bancos credores não estavam afinal muito interessados nessas auditorias. Possivelmente, porque a má gestão foi financiada pelos bancos, o que também os põe em causa. Mas sobretudo porque os gestores que foram sendo nomeados no clube nos últimos anos tinham a bênção dos bancos, quando não eram provenientes de lá.

Ontem, Bruno de Carvalho anunciou que a auditoria de gestão avança mesmo e que vai analisar 17 anos de contas. Ou seja, desde o início de Santana Lopes (1995) até ao fim de Godinho Lopes (2013). Entre Lopes e Lopes, foram ainda presidentes José Roquette, Dias da Cunha, Soares Franco e José Eduardo Bettencourt.

A tarefa é gigante, pois implica analisar milhares de atos de gestão de seis presidentes. É por isso que se prevê cerca de um ano para este trabalho. No final, duas coisas podem acontecer: ou considerações vagas, que perderam força com o tempo; ou um “tiro aos pratos”, em que ficará claro que presidentes foram bons e que presidentes foram mais gestores. Esperemos que seja este o caso. Porque má gestão houve de certeza. Pelo menos.

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