_

A cadeira vazia

A cadeira vazia

Está montado um drama a norte, com uffs e desmaios, que mais parece uma ópera bufa. Então agora um grande clube da Europa, que sempre fez, desde os idos de setenta, da estabilidade um valor quase absoluto, todo treme e espera por um resultado na Taça da Liga para decidir se um treinador acabado de contratar fica ou vai?

Este FC Porto de Paulo Fonseca tem só um problema: falta de ovos e quantidade plural para fazer uma omeleta degustável.

PUB

Ninguém se chega com jeito e velocidade à linha de fundo, Lucho já não se lembra da última vez que fez pressão séria sobre a saída da bola, Fernando está mais para lá do que para cá, na miragem do mercado de inverno, os centrais são autistas encartados, comandados por um baterista mudo.

Em dois anos, o clube perdeu Hulk, João Moutinho – apenas o médio mais completo do atual futebol mundial – e James Rodríguez. Em troca, foi buscar Licá – sem toque de bola para um grande, a não ser na posição de lateral –, Josué – craque em potência, mas que pode naufragar nesta tempestade de histerismo – e Carlos Eduardo – nos tempos que correm, porque o tempo nunca pára de correr... muito melhor do que Lucho –, todos por dez reis de mel colado.

Com este fraco exército, e sem um soberano claro a quem servir – Pinto da Costa anda de coração nas mãos e namorada jovem à perna –, Paulo Fonseca mantém o emblema no topo de campeonato e ainda pode aspirar à Liga Europa.

PUB

E é agora – com Quaresma a chegar e tempo para olhar de novo através do grupo – que o FC Porto treme com as palavras lançadas pelo desertor da cadeira de sonho.

André Villas-Boas diz, no momento em que sai, mais uma vez, sem glória do futebol inglês, que, em Portugal, só vai para a cadeira com os azuis e brancos. Conversa fiada, mas que faz estremecer os que estranham mais derrotas do que o costume.

Com Quaresma a precisar no mínimo de dois meses para voltar a tempos próximos daqueles em que fazia magia no Dragão, Pinto da Costa que troque de treinador, caso perca em Alvalade.

PUB

E veremos se, sem ovos, alguém faz omeletas.

Deixe o seu comentário
PUB
PUB