A culpa da multa

Segundo o Record noticiou e eu pude confirmar, o Conselho de Disciplina da FPF multou o treinador do Sporting em 153 euros e repreendeu-o pelos acontecimentos verificados no jogo em Coimbra e pelos quais Jorge Jesus foi expulso. «Estão a tramar-nos» - protestaram uns. «Como? Só isso? Nem um joguinho de castigo?» - comentaram outros. E uns e outros de imediato se atiraram ao árbitro, ao treinador e, sobretudo, aos membros do CD.

Que se atirem ao treinador, entende-se, pois porventura ele não deveria ter ido cochichar fosse o que fosse ao quarto elemento da equipa de arbitragem. Que se atirem ao árbitro, também se percebe, ainda para mais  se, como mais tarde foi tornado público, aquilo que Jesus disse ao ouvido de André Moreira foi de facto aquilo que se soube. Que se atirem ao CD, significa desconhecimento dos factos.

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«O que vocês estão a fazer é uma vergonha!» - mais palavra, menos palavra terá sido isto que JJ disse. E se foi isto, Bruno Esteves esteve mal ao expulsá-lo. Que o tivesse advertido e lhe exigisse uma linguagem mais contida – seria adequado. Mas conhecendo JJ e conhecendo o árbitro o tipo de linguagem que se utiliza (mal ou bem, para o caso é irrelevante) no futebol, mandá-lo para a bancada por uma «boca» destas foi um exagero.

Foi com base nessa expressão, constante do relatório do árbitro, que os membros do CD analisaram o caso. Repito, a análise foi feita tendo por base aquilo que Bruno Esteves escreveu no seu relatório! E o que constava era única e exclusivamente aquilo que atrás refiro. Por isso, JJ foi sancionado pelo artigo 140 do Regulamento Disciplinar – protestos contra equipa de arbitragem -, cuja moldura sancionatória é a repreensão e uma multa pecuniária que vai de 76.50 a 382.50 Euros.  Se o constante do relatório do árbitro fosse diferente e porventura levasse a uma punição por ofensa à honra, a moldura penal seria outra e JJ poderia ter de se sentar na bancada no mínimo um mês, para além de uma multa pecuniária de valor superior. Mas como não foi, o CD não teve alternativa a não ser aplicar os regulamentos. Fizeram Justiça! E por isso não são merecedores de crítica. A culpa da multa não é dele.

Mas o caso não deveria ficar por aqui. É que, das duas uma: ou o árbitro «exagerou» ao expulsar o treinandor, ou o árbitro não escreveu aquilo que de facto Jorge Jesus disse ao ouvido do auxiliar. Se «exagerou», é grave, pois demonstra prepotência e falta de sensibilidade para dirigir um jogo de futebol. Se não escreveu...bem...julgo que o melhor será deixar que cada um retire as conclusões que entender. A começar por Vitor Pereira.

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