A curta manta de Paulo Bento

Sempre pensei que o Bayern Munique era favorito a vencer a eliminatória com o Sporting, referente aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, mas acreditava que os leões tinham uma palavra a dizer. Nunca me passou pela cabeça é que a palavra fosse tão curta. Ainda por cima, depois de os pupilos de Paulo Bento terem conseguido dois resultados positivos (no Restelo e no dérbi com o Benfica) e dos bávaros terem protagonizados alguns tropeções na Bundesliga – levando os próprios responsáveis a duvidar da possibilidade de afastar os portugueses -, reforcei a ideia de que este duelo podia não ser tão óbvio quanto muitos anunciavam. Enganei-me!

 

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O Bayern, mais do que golear em Alvalade, provou ser uma equipa incomparavelmente superior ao Sporting. Individual e colectivamente. A forma como os seus jogadores tomaram conta do jogo não deixou margem para dúvidas. Os alemães, nomeadamente na segunda parte, fizeram o que quiseram de um opositor sem chama, descrente, completamente apático.

 

O Sporting pode queixar-se de ter desaproveitado algumas oportunidades até ao intervalo, pode lamentar o facto de ter permitido o golo inaugural em cima do descanso, pode salientar que na jogada antes do 0-2 esteve perto de empatar e até pode colocar em causa se o tento de Klose não terá sido apontado em posição irregular. O que não pode dizer é que, anteriormente, não tenha passado por situações relativamente parecidas. Naufragar perante adversários de topo tem sido sistemático, conforme se observara nos compromissos oficiais com o Barcelona ou no particular com o Real Madrid.

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A fragilidade leonina para competir ao mais alto nível é notória. A comprovar isso basta dizer que esta é a primeira vez que o Sporting não ficou pela fase de grupos da “Champions”. E independentemente do mérito dos seus jogadores, é preciso ter presente que esta temporada, pelo facto de estar inserido no pote 2, o percurso ficou menos complicado. Basicamente, os leões confirmaram no campo o estatuto no sorteio.

 

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Pensava que a empolgante segunda parte contra o Benfica – aliada à conquista dos 3 pontos -  podia funcionar como estimulante adicional para o jogo com os alemães. Mas, nem isso ajudou Paulo Bento que, por vicissitudes do calendário (águias antes e dragões depois, sem muito tempo de recuperação), optou por proceder a algumas alterações no seu onze dos últimos tempos. Tendo em conta o sucedido, podemos dizer que fez mal? Talvez! Mas só no sábado à noite poderemos ter uma resposta mais definitiva. É que se financeiramente dava jeito atingir os “quartos” da “Champions”, desportivamente a prova em que o Sporting tem de apostar é na Liga. Só essa, objectivamente, pode vencer.

 

Independentemente de se questionar as opções de Paulo Bento, esta derrota histórica com o colosso alemão mostrou também o quão curta é a manta que o técnico tem à sua disposição. O Sporting tem mais soluções esta época do que na anterior, mas continua a não ter as necessárias (em número e em qualidade) para poder apresentar-se, em 8 dias, no máximo da sua força perante adversários como Benfica, Bayern Munique e FC Porto.

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E por falar nos dragões, o jogo do Vicente Calderon, perante um sempre irregular Atlético Madrid, confirmou que mora no Norte a melhor equipa portuguesa da actualidade. Não quer isto dizer que os pupilos de Jesualdo já carimbaram o visto para a ronda seguinte da Liga dos Campeões, nem sequer que vão vencer o Campeonato (altos e baixos, aliás, é algo com que os azuis e brancos têm convivido em demasia esta época). Apenas me parece claro que, quando jogam ao seu melhor nível (e mesmo com Helton a disparatar...), atingem um rendimento que Sporting e Benfica não conseguem.

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