A despedida de Quique

Matematicamente, o Benfica ainda pode ser campeão. Mas, todos sabemos que tal não vai acontecer. Matematicamente, o Benfica ainda pode chegar ao segundo lugar e consequentemente às rondas de qualificação para a "Champions", mas todos sabemos que dificilmente isso será verdade. Por outro lado, Quique Flores tem mais uma época de contrato com os encarnados, mas ninguém acredita que a vá cumprir. E nesse particular, de pouco ou nada valem as palavras de ocasião de Luís Filipe Vieira. As que já foram ditas ou as que poderão surgir nas próximas horas ou dias. Aliás, após a derrota com a Académica, foi o próprio técnico quem assumiu o óbvio: no final será preciso conversar. Só lhe faltou dizer qual será o "sumo" do diálogo. Mas ele sabe. Todos sabemos. Ou será que anda por aí alguém distraído?

Ironicamente, o fim da linha do treinador aconteceu num dos poucos jogos durante toda a época em que as águias, objectivamente, fizeram o suficiente para garantir os 3 pontos. Só que contrariando a lógica, nem 1 conquistaram. O Benfica, finalmente, criou inúmeras ocasiões de golo, mas a bola, invariavelmente conheceu uma direcção errada. Por falta de sorte, por azelhice de quem rematou e por mérito do guardião contrário que fez uma exibição notável.

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Pelo meio, é justo dizer, o Benfica até marcou um golo. Mas o lance - mais um para figurar no anedotário arbitral nacional - foi anulado por falta de Nuno Gomes. Como e quando aconteceu a irregularidade do capitão encarnado é que ainda não descobri...  Mas, como já disse várias vezes, falar dos árbitros é um argumento insuficiente. O Benfica perdeu porque foi incapaz de transformar pelo menos num golo o extenso rol de ocasiões fabricadas. E perdeu também porque continua a ser deveras vulnerável nos lances de bola parada; porque não assusta um único adversário na Luz; porque em casa, em 12 jogos da Liga, apresenta um incrível saldo de 15-9 em golos; porque quando a época se aproxima do final continua sem saber qual é o modelo que o treinador pretender ver em acção (embora já se saiba que Quique, afinal, também não gosta do que vê...) e ainda porque os jogadores, do ponto de vista psicológico, estão de rastos. Poucos acreditam (embora, naturalmente, afirmem o contrário) que esta equipa, nos actuais moldes, chegue a qualquer lado. E todas estas questões, como não poderia deixar de ser, são responsabilidade do treinador. Não totalmente, é certo, mas em grande parte. É por isso que o seu consulado vai terminar brevemente.

Mas nem tudo são más notícias no reino da águia. Rui Costa terá, agora, muito tempo para fazer contas à vida que é como quem diz para escolher um novo responsável. Eriksson, mais uma vez, perfila-se como sério candidato, pois agora não há nenhum contrato milionário à sua espera no México. Pessoalmente, sem colocar em causa o teinador e o homem (das pessoas mais afáveis que conheci no mundo futebolístico), não sei se esta será uma boa opção. Parece-me que o sueco já não tem a chama de outros tempos. Mas, independentemente da escolha de Rui Costa e Vieira, a mudança poderá servir também para recuperar Diamantino (que continuará com contrato) e talvez Chalana. Quique considerou que não precisava deles. Enganou-se. E deu-se mal. Mas como o próprio o reconheceu no sábado, quem anda no futebol acaba sempre por se enganar. Tantas vezes é que é azar. Ou outra coisa qualquer...

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