O Estado aperta o cinto e leva-nos tudo o que pode, as empresas dispensam trabalhadores e cortam mordomias e salários, alguns clubes de futebol têm já uma gestão rigorosa e disseram adeus a loucuras. Os tempos não vão para brincadeiras e quem quiser sobreviver tem de encarar a realidade e pisar terreno sólido.
Quando se lançaram as equipas B dos maiores emblemas, questionei aqui a sua utilidade, pois já se vivia em conjuntura de crise e parecia não fazer sentido aumentar os compromissos salariais, com a quase certeza de que os proveitos não compensariam o investimento. Que não, que as vantagens desportivas seriam enormes, que as turmas secundárias constituiriam os alfobres das principais e que estas poderiam emagrecer o quadro dos seus futebolistas, dando mais hipóteses aos jogadores portugueses. Finalmente, os adeptos acompanhariam, sequiosos de novidades.
Está à vista o resultado. Os profissionais estrangeiros assentaram praça também nas equipas B e as assistências médias das partidas sem “grandes” não ultrapassam os 200 ou 300 espectadores. Na última jornada, acorreram ao Seixal talvez 500 pessoas para ver o Benfica B e em Alvalade contaram-se menos de mil para assistir ao desempenho do Sporting B – o leão segue em alta.
É verdade que se têm revelado alguns talentos, resta saber a que preço. Porque o que seria racional os clubes não fizeram, ou seja, não reduziram para 18 ou 19 jogadores os primeiros plantéis, apoiando-se como se esperava nas equipas B, sendo certo que estas teriam, por sua parte, de trabalhar com um olho nos juniores, abrindo uma nova janela de oportunidades e estimulando a concorrência entre os mais jovens. Um clube ou SAD que deveria bastar-se com 30 ou 32 futebolistas – naturalmente com um calendário de jogos que o permitisse – tem, no figurino atual, de pagar salários a bem mais de 40.
Benfica, FC Porto e Sporting acumulam dívidas de mais de mil milhões de euros e pagam 45 milhões por época só em juros à banca, mas somam 227 jogadores contratados, incluindo os que cederam a outros clubes. É uma gestão delirante, e perigosa, que ameaça não acabar bem.