A partida de Ricardo Rocha

Entendo as razões que levaram Ricardo Rocha a "forçar" a saída para Inglaterra. Aos 28 anos, o futebolista tinha em mãos oportunidade única de conseguir uma transferência para um emblema histórico de um campeonato notável. Claro que também não podemos esquecer que sonhava com o aumento considerável no salário (praticamente o dobro do que ganhava na Luz). Assim, a postura do profissional foi normal. Como foi normal no passado, quando pretendeu emigrar para auferir um vencimento superior, mas também para jogar com maior regularidade.

Hoje em dia, Rocha não tinha de se preocupar com a titularidade no Benfica. Estava a jogar bem, provavelmente a um nível nunca visto, razão pela qual Fernando Santos não perdeu tempo em elegê-lo como companheiro ideal para Luisão no centro da defesa, em detrimento de um Anderson que, verdade seja dita, já rendeu bem mais.

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Ricardo Rocha quis "apenas" ir para um campeonato melhor, para uma realidade diferente e enriquecedora a vários níveis. Penso que fez bem. Como o clube também fez bem do ponto de vista económico. Não se conseguem transferências tão avultadas envolvendo defesas com facilidade. E tendo em conta a idade do jogador, só por milagre seria possível ganhar mais dinheiro num futuro negócio.

Mas, tentemos avaliar a situação pelo lado desportivo. Aí, ou muito me engano ou os responsáveis encarnados estão a cometer um erro. Quando se fala em tentar ter sucesso em três frentes (sendo que na Liga as hipóteses são mínimas face ao avanço do FC Porto) é preciso ter plantel para cobrir as exigências. E o Benfica, acrescente-se, não tem valia para tanta coisa. E não estou a falar em número de jogadores. Isso, como o técnico já referiu vezes sem conta, até existe para além da conta. A questão é a qualidade. As águias tinham défice no ataque. Agora, para além de terem menos um avançado (Kikin), também estão com problemas na defesa, pois antes de Rocha já Alcides tinha saído.

André Luís, central brasileiro de qualidade que nunca teve espaço para ser afirmar de águia ao peito, seria certamente uma boa opção. Mesmo para terceiro central. Palpita-me que deve andar por aí muita gente arrependida de o ter "despachado" de forma tão célere quanto incoerente (se o jogador não tinha nível alguém devia ter explicado as razões da contratação).

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Com o mercado quase a encerrar, da Luz só chegam notícias de saídas confirmadas ou em perspectiva. Faltam os reforços. E a avaliar pelo exemplo dos últimos anos, as aquisições "em cima do joelho", a meio da época, costumam dar... buraco! Por isso, vender Rocha talvez não seja um negócio tão brilhante quanto parece à primeira vista.

P.S. - A Taça de Portugal continua em grande estilo. Cada vez sou mais apologista da entrada em cena das equipas do principal escalão logo na eliminatória inaugural. Eu sei que isso iria produzir algumas goleadas, mas quem é que se incomodaria com isso? Para a maioria dos clubes deste País, ser goleado por um grande seria... histórico, para além de proporcionar um mediatismo impossível de outra forma ou o encaixe financeiro equivalente às receitas de meia década (ou mais). E podem ter a certeza que muitas surpresas iriam acontecer. O pessoal do "meu" Atlético iria adorar!

Com mais jogos da Taça de Portugal para realizar, os clubes da Liga iriam conseguir também preencher os "buracos" existentes no calendário em virtude do "encolhimento" do Nacional de 34 para 30 jornadas. Mas, este modelo obrigaria, certamente, a que o futebol não estivesse de férias um mês na altura do Natal e Ano Novo e isso, se bem entendi ultimamente, não agrada a muitos "iluminados"...

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