A UEFA de Platini

Depois de ter sido um dos melhores futebolistas da história e de ter orientado a poderosa selecção do seu país (sem particular sucesso) eis que o mediático Michel Platini - há muito dirigente - chega onde queria: à liderança do organismo que dirige os destinos do futebol europeu.

O francês superou o veterano Johansson nas eleições de Dusseldorf, por apertados 27-23. Ninguém sabe, ao certo, quem votou em quem, mas consta que foram as nações mais pequenas e desportivamente menos influentes que deram o triunfo a Platini. Acredito que assim seja, pois sempre considerei que o gigante sueco, ao longo do trajecto de 17 anos à frente da instituição, só teve olhos para a questão económica. Por outras palavras, Johansson esteve sempre disposto a facilitar a vida aos ricos (ajudando-os a ficarem ainda mais fortes), esquecendo-se, porventura, de olhar com o devido respeito para os outros.

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A Liga dos Campeões, claro está, foi uma criação interessante da gestão do sueco. E que muito dinheiro tem distribuído por uma vintena de clubes, centrados em pouco mais de meia dúzia de nações. Se me perguntarem se gosto de ver uma competição onde estão quase sempre Real Madrid, Barcelona, Valencia, Chelsea, Manchester United, Arsenal, Milan e Inter é óbvio que sim. Mas, mentiria se não acrescentasse que, para mim, não faz sentido que quem não é campeão nacional tenha acesso a uma prova que se chama exactamente Liga dos Campeões. Mais paradoxal: inúmeros vencedores de competições internas, mergulhados em várias triagens antes da prova propriamente dita, jamais terão entrada numa competição que, em teoria, deveria albergar campeões e não segundos, terceiros e mesmo quarto colocados das ligas mais fortes.

Platini parece tentado a diminuir o número de participantes por país na "Champions". Aguardo que assim seja, sabendo, contudo, que os "tubarões" jamais permitirão o regresso à essência: um clube (campeão) por nação.

Mas, acreditando que o gaulês pode ajudar a revitalizar o futebol europeu, tornando-o mais justo, desconfio das benesses que, directa ou indirectamente, possam ser concedidas à sua França bem como aos países "amigos". Vários anos passados após o Mundial de 1998, muitos são aqueles que continuam a dizer que tudo estava "feito" para a vitória ficar em casa. Não sei se foi assim, mas defendo que os franceses em lugar de decisão podem ser "perigosos". Ainda por cima Platini, que foi o rosto desse Mundial, é "unha com carne" com Blatter, o patrão da FIFA, figura por quem não nutro a mínima simpatia e considero o principal responsável pela inacreditável atribuição do título de melhor jogador do Mundial 2006 a Zidane. Mesmo sabendo-se que a vitória na prova pertenceu à Itália e o criativo gaulês (coincidência...) saiu da final expulso, após cabecear um adversário.

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Enfim, vamos esperar para ver o que acontece, acreditando que Gilberto Madaíl, eleito para o Comité Executivo da UEFA, possa contribuir para a defesa das posições dos "pequenos". Portugal incluído, claro está...

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