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Pronto, já sei, leitor, não se pode ser bom, é o que é. Mas olhem que eu tenho queda para a coisa: digo que Peseiro é um treinador “curto” para o Sporting e os leões desatam a ganhar; escrevo que Trapattoni é o técnico adequado para o Benfica e lá vão duas derrotas seguidas, uma delas em casa contra um dos últimos da SuperLiga. Claro que quem tem razão é o Ferreira Fernandes, quando no seu muito lúcido “Passe Curto” pergunta porque é que o Benfica não tem o Tanque Silva em vez do Karadas. Mas também eu em verdade lhe digo: no Beira-Mar, o Karadas marcaria para caramba, no Benfica o Tanque já estava na equipa B. Lembram-se de um tal de Marcelo? Bem, mas voltemos a Mr. Trap, que passa a ser o meu treinador ideal para o Benfica... só quando ganhar. Sempre que perder – e espero que logo à noite não se diga “e vão três” – quero também começar a acenar daqui com o meu lenço branco, para ver se não faço figura de parvo sem me apetecer. É que já ofendi Fernando Chalana ao chamar “pequeno genial” ao João Pereira e o Trapattoni deu-me cabo do puto. Logo, lá volta o rapaz a jogar a defesa-lateral... Não há pachorra!
Sá Pinto
Talvez eu seja suspeito, que passei os últimos longuíssimos meses a pensar como faria bem ao Sporting, confinado a Peseirwood, o regresso de Ricardo Coração de Leão. Talvez eu seja um inveterado saudosista dos tempos em que Manuel Fernandes levava a equipa às costas, tanto em momentos épicos do tipo dos 7-1 ao Benfica, como em alturas de desespero em que tudo corria mal. Talvez. Mas sempre achei que o Sporting com Sá Pinto é outra coisa, dentro e fora do campo, embora também já tenha aprendido que todos temos a nossa época. Por isso, daqui envio as minhas calorosas saudações àqueles que passaram esses mesmos longos meses a garantir que Sá Pinto estava acabado. Ricardo: um peru para cada um, já!
McCarthy
O plantel campeão europeu está liquidado e a verdade também é que não era possível mantê-lo. Mourinho partiu, o seu sucessor só podia ter a vida complicada, fosse quem fosse que não conseguisse, como é o caso de Fernández, ganhar todos os jogos. Mas o maior problema do FC Porto é que a velha mística cimentada por anos e anos de pintacostismo está em fase de fragmentação. Os jogadores revelam em campo uma intranquilidade e uma falta de “travão” psicológico que os leva a cometer actos de indisciplina que não sonhávamos ver no burgo do Dragão. Benni McCarthy voltou ao desnorte dos velhos tempos da curtição em Vigo, que Mourinho havia controlado. E o FCP lá segue, líder é certo, mas irreconhecível.
Marco Aurélio
Leu-se muita coisa – hoje menos, que a vida é feita de “ondas”... – sobre os Atletas de Cristo, embora me pareça que as pessoas encaram essa religião como “mais uma”. Com jogadores e técnicos pouco dados aos mistérios da religiosidade é a mesma coisa – ai, acreditam nisso?, então é deixá-los. Pois, mas o problema não se resolve ignorando-o e José Couceiro, na semana passada, e Mariano Barreto, no domingo, já foram postos ao nível. O guarda-redes Marco Aurélio, talvez o mais conhecido dos Atletas de Cristo residentes, levou com duas bolas nos ferros em Setúbal e mais duas no Funchal, e o Belenenses somou 4 pontos! Carlos Brito, que no incrível 3-3 da 1.ª volta já viu o poder do Senhor, que se cuide agora na visita ao Restelo!
Ricardo Rocha
O que ainda estou a ver é isto: Ricardo Rocha a ser batido de cabeça pelo franganote Liedson (foto de cima) no primeiro golo do Sporting ao Benfica em Alvalade. Na Luz, o que vi foi isto: Ricardo Rocha a tentar desesperadamente chegar onde devia estar Luisão e a não conseguir evitar a cabeçada vitoriosa de Tanque Silva (foto de baixo) para o segundo tento do Beira-Mar. Enquanto Trap não opta por Alcides, o melhor é Ricardo Rocha ir a correr colocar-se sobre a linha de baliza: é mais fácil apanhar lá a bola. Ou, então, ir à bruxa.
Helton
Se dúvidas houvesse sobre o estado a que chegou o futebol português e o “caso Liedson” não bastasse para se perceber como são frágeis as estruturas, tivemos agora o episódio que levou à substituição do guarda-redes Helton na partida com o FC Porto. O brasileiro teve uma atitude irreflectida e o treinador mandou-o tomar banho mais cedo. E quando se esperava por um processo disciplinar e pelas suas consequências, eis que aos costumes os leirienses disseram nada. Helton tem tido uma conduta polémica no seu clube, mas a União tudo lhe perdoa... Por um lado, João Bartolomeu não perde um jogador valioso, é verdade, mas por outro há um mau exemplo que é tolerado. Brandos costumes: defeito ou virtude?