Com a revelação que fez no último domingo, a de que André Villas-Boas teve, no início do ano passado, um pré-acordo com o Sporting, posteriormente anulado, Pinto da Costa não prestou só um inestimável serviço a Record, o que registo, mas defendeu algo de que o País e o futebol andam tão carecidos como de – é bem caso para dizer – pão para a boca: a verdade.
Em 6 de março de 2010, quando noticiámos o compromisso do treinador ao serviço da Académica com os leões, logo os incrédulos levantaram uma onda de suspeição sobre o rigor da informação, com o próprio Villas-Boas a ter o despudor de vir a terreiro classificar de “palhaçada” aquilo que sabíamos – então só nós e os dirigentes do Sporting, e hoje toda a gente – ser realmente o que aconteceu.
Ao técnico ora campeão bastava-lhe, na altura, ter ficado calado, embora se perceba que as pressões o tivessem levado a falar. Mas por que não se limitou a desmentir a notícia, seguindo o exemplo de tantos habilidosos que só respeitam a verdade quando esta lhes convém? Por que sentiu a necessidade de classificar de “palhaços” tanto o jornal que deu uma notícia que ele sabia ser correta, como os seus jornalistas? Sou obrigado a responder por ele, que teve muito tempo para se retratar nestes 13 meses e nunca o fez: porque é já um grande treinador mas ainda não cresceu tudo.
Como assumo sempre os lapsos, meus e de Record, levei a humildade ao ponto de enfiar, nesta coluna, a 3 de abril de 2010, um chapéu de palhaço e a admitir o erro. Mas como a notícia é, afinal, verdadeira, hoje tenho companhia. A parelha Careca & Andrezito fica enfim ao dispor do excelentíssimo público.