Se alguém, antes da partida, dissesse que o Benfica ia à Madeira derrotar o Marítimo por 6-0, era provável que o apelidassem de louco. Nem os próprios futebolistas do clube da Luz, nos dias de maior optimismo, poderiam imaginar uma jornada assim: tão fácil no que se refere à conquista dos 3 pontos, tão gorda em relação aos números envolvidos. Ainda por cima, os encarnados vinham de dois resultados bastante negativos; estavam numa estranha onda de sofrer golos praticamente em todos os duelos; jogaram depois de Sporting e FC Porto terem passado (com distinção) os respectivos compromissos; sentiam a pressão inerente ao facto de voltarem a ter a liderança à sua mercê (mesmo que à condição) e, tão ou mais importante, os insulares apresentavam-se como a melhor defesa da prova (apenas 5 golos encaixados nas 10 primeiras rondas da Liga) e não perdiam há 8 jogos.
Uma grande penalidade logo aos 20 minutos, acompanhada de expulsão (e logo o guardião Marcos, um dos responsáveis pelo habitual bom desempenho defensivo dos madeirenses), foi uma ajuda tremenda para os lisboetas. No entanto, ainda antes do primeiro golo, as águias já tinham ameaçado “voar alto”.
A atitude da equipa de Quique Flores foi, efectivamente, determinante para que o Benfica voltasse, 34 anos depois, a ganhar por 6 golos de diferença fora de casa. Aparentemente, os jogadores fizeram questão de responder, com uma exibição segura e consistente, à natural onde de desconfiança que se instalou entre os próprios adeptos nos últimos dias. E essa vontade de pontapear os indícios de crise foi visível logo desde o apito inicial, em contraste com a tradicional apatia que, vezes sem conta, marca o arranque dos jogos onde participam as águias.
A questão, agora, é tentar perceber que caminho vai este Benfica tomar nos próximos tempos. Para poder sonhar com um final de época festivo, o colectivo precisa de exibir outra regularidade, nomeadamente a nível defensivo pois, até ver, marcar golos não tem sido um grande problema. De momento, só se pode concluir que esta águia não é tão fraca quanto se viu em Atenas, nem tão forte como pareceu na Madeira...
PS – Tendo em conta a forma como o jogo decorreu – com o Marítimo a fazer um único remate com perigo -, parece pouco apropriado relembrar que, em relação aos últimos jogos dos encarnados, o onze escalado contou com o regresso de Luisão e com Moreira no lugar do psicologicamente afectado Quim. Mas, mesmo que se trate apenas de coincidência, é verdade que, na Madeira, o Benfica não sofreu golos. E os factos, com ou sem coincidências à mistura, são factos...