As leis do xerife Maurício

As leis do xerife Maurício

1 - A complexidade dos processos que orientam os elementos defensivos de referência no futebol europeu costuma atrasar a imposição de quem atravessa o Atlântico. Deste lado, o jogo é mais dinâmico e exige mais versatilidade; requer mecanismos precisos de articulação coletiva e obriga a reeducar qualidades que se davam como adquiridas. Nos anos 80, Portugal acolheu alguns dos melhores centrais brasileiros de sempre e todos demoraram a mostrar-se na plenitude, confrontados com novas e delicadas exigências. Todos menos Aldair, jogador com limitações de vária ordem, opaco e inestético, mas que chegou, viu, venceu e ao fim de um ano transferiu-se para a AS Roma, clube que representaria durante 13 épocas, grande parte das quais como figura de primeira grandeza do calcio.

2 - Em causa estão diferentes modos de entender o futebol. Maurício, que tem excelente compleição física e um jogo de cabeça fortíssimo, soube ultrapassar em poucas semanas obstáculos que outros levaram meses e até anos a conseguir. Habituado a jogar em espera e com deslocamentos curtos, evoluiu no acerto de diagonais profundas e na forma como enfrenta os adversários mais à frente. Se antes definia o momento de entrada aos lances na sua conclusão, hoje está familiarizado com ações mais amplas e variadas; se passou a maior parte da carreira dependente da eficácia nos duelos individuais, agora viu-se obrigado a assimilar a ideia de sistematização sectorial e a sentir as vantagens de ordem e simetria para que todos os elementos do sector se movimentem e ajam como se fossem um só.

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3 - Em 1974, Marinho Peres foi contratado pelo Barcelona na qualidade de central e capitão da seleção do Brasil. No final do primeiro treino de conjunto em Camp Nou, o lendário Rinus Michels leu-lhe a sentença: “Muito bem Marinho. Só há um problema: vai ter de fazer isso tudo 25 metros à frente”. Trata-se de um bom exemplo para sublinhar o desfasamento entre o jogo sul-americano e o europeu – diferenças que, de um modo geral, se mantêm quatro décadas volvidas. Maurício comete cada vez menos erros conceptuais, porque está a aperfeiçoar o domínio das distâncias entre sectores e jogadores, a aplicar as regras de compensação e a calibrar a defesa do espaço. De resto, lances como o do Dragão, onde cometeu penálti infantil sobre Alex Sandro por ter perdido o sentido de orientação, não se repetiram.

4 - Maurício não tem recursos técnicos à altura dos grandes centrais, muito menos pertence à dinastia que a história acolhe como referências eternas; mas tem revelado qualidades que lhe permitiram adaptar-se melhor e mais depressa a uma realidade diferente daquela onde nasceu, cresceu e se fez jogador. Afinal, os fundamentos para a sentença definitiva como central sem passado nem futuro, oriundo do escalão secundário do Brasil, sustentavam apenas o preconceito à volta de quem viveu dificuldades transitórias comuns a estrelas mundiais nas mesmas circunstâncias. Maurício foi rápido a assimilar radical mudança de ritmo, intensidade e intervenção no jogo. De tal forma que, estando ainda a conhecer os cantos à casa, já dita leis como xerife da defesa sportinguista.

Há vida para lá de Oscar Cardozo
Quando o povo reclama a presença de um jogador, há mensagens subliminares adjacentes

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Essas manifestações servem de apoio a um elemento da comunidade, constituem pressão sobre o treinador e são prova de desconfiança sobre quem desempenha a tarefa do ausente. O apelo ruidoso ao regresso de Cardozo, como se fosse o salvador da pátria, teve a enquadrá-lo a indelicadeza na apreciação à eficácia de Lima. Na primeira temporada juntos (2012/13), o paraguaio só marcou mais um golo do que o brasileiro (31-30), prova de que talvez não se justificasse tanto barulho. Em Vila do Conde, Lima (e Rodrigo) insistiu que há vida para lá de Tacuara. Por vezes não parece. Mas há.

Os erros fatais de meia equipa
As falhas individuais, defensivas e ofensivas, estão a tornar-se muito pesadas para o FC Porto

Em Coimbra, Fernando aumentou os pecados fatais que já custaram pontos na Liga e privilégios na Champions. Depois dos deslizes de Helton, Danilo (falha no golo do Áustria Viena e desperdício de penálti com a Académica), Mangala, Otamendi e Alex Sandro, foi a vez de o polvo ficar mal na fotografia no golo da Briosa. Quando o desvario atinge, à vez, mais de meia equipa, num clube conhecido pela fiabilidade dos seus componentes, é humana a tendência de concentrar (mal) a responsabilidade num homem só. Paulo Fonseca pode ter culpas mas não tantas quantas lhe são atribuídas.

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Fabuloso Bayern de Pep Guardiola
A questão não é de agora: será Guardiola capaz de conquistar tantos títulos como Heynckes?

Ponto da situação nos primeiros dias de dezembro de 2013: a bola circula cada vez mais depressa e com maior segurança pelos jogadores do Bayern Munique; os seus componentes acentuam sinais de confiança e felicidade, o que atrai a máxima expressão do talento; a equipa joga cada vez melhor, marca cada vez mais e sofre cada vez menos. Já era a melhor da Europa antes da chegada de Pep, mas a diferença para as demais está a acentuar-se desde o início da época. O Bayern só não consolidará um novo ciclo hegemónico no futebol europeu se a sorte lhe virar costas. E mesmo assim...

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