Basta cumprir o senso comum

Basta cumprir o senso comum

Diz-nos a história que o futebol português tem inscrito no ADN o sentido de superação; que colocados perante missões de elevado grau de dificuldade os jogadores se transcendem, encontram forças desconhecidas e elevam o talento para níveis superiores, mesmo considerando que, nalguns casos, estamos a falar de alguns dos melhores do Mundo. Dizia Rui Costa, em entrevista concedida ontem a Record, que na fase final do Euro’2000, confrontada com a necessidade de jogar com Alemanha, Inglaterra e Roménia, a Geração de Ouro recolheu aos aposentos, analisou o sorteio, conversou entre si e tirou uma conclusão surpreendente: “Nada a temer: a maior potência deste grupo somos nós.”

Olhando para o sorteio do Mundial’2014, é evidente que a Seleção não precisa de superar-se para cumprir o objetivo mínimo – e, lá está, falta saber se a aparente facilidade é positiva ou encerra fatores negativos. Lá está a todo-poderosa Alemanha, com quem Portugal se inicia pela terceira vez na grande montra (depois dos Euros de 1984 e 2012); mas depois surgem Gana e Estados Unidos, adversários perante os quais Portugal surge como claro favorito. Se os africanos aparecem pela primeira vez no caminho da equipa nacional, já os americanos são conhecidos desde 1978. Em 35 anos, e ao contrário do que o senso comum nos leva a pensar, há um empate em toda a linha: cinco jogos, duas vitórias para cada lado, cinco golos marcados e outros tantos sofridos. Sem esquecer que o último confronto com os EUA, marcado por derrota, foi no arranque do Mundial’2002.

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Desde então, os americanos não evoluíram como chegaram a ameaçar. Mas mantêm índices físicos notáveis, que lhes permitirão gerir melhor as condições climatéricas adversas – o jogo com Portugal é em Manaus, a cidade mais temida pelo calor. Mas apenas isso. Nada que CR7 e companhia não possam (e devam) ultrapassar.

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