Benfica cresce sem Enzo

Benfica cresce sem Enzo

À saída de Enzo Pérez do Benfica deveria seguir-se um período de quebra da equipa. Seria, no mínimo, o mais lógico. E no entanto o que aconteceu foi precisamente o oposto: o campeão nacional entrou naquele que é o seu melhor período, tanto em termos de resultados como de qualidade de jogo. As seis vitórias obtidas após o dia 18 de dezembro (a última aparição do argentino de águia ao peito foi na derrota com o Sp. Braga, para a Taça de Portugal) confirmam-no; os 17 golos marcados (e nenhum sofrido) revelam que a nota artística voltou e que a segurança defensiva não foi colocada em causa.

O crescimento do Benfica pós-Enzo fica a dever-se, em boa parte, ao “novo” Samaris. O grego foi dos jogadores mais contestados e olhados de lado desde o início da época e o facto de ter custado 10 milhões de euros não o ajudou. Nos dois últimos desafios da Liga (V. Guimarães e Marítimo) Samaris esteve impecável e implacável. Recebeu os primeiros grandes elogios. Outros se seguirão...

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Há um ano, este “fenómeno”, de certa forma, também se verificou com Enzo: apesar de ter para trás um ano e meio de alto nível, foi a saída de Matic que melhor o ajudou a ganhar uma dimensão extraordinária no jogo da equipa. Se até aí dividia as tarefas de construção e recuperação, com a entrada de Fejsa (mais posicional) para o lugar de Matic o argentino passou a ter maior amplitude de terreno ofensivo para pisar. Tornou-se no primeiro construtor e começou a integrar o lote daqueles que exerciam pressão em zona subida do terreno. Fez esse papel tão bem, que chegou a titular da seleção, jogando a final do Mundial do Brasil. Não chegou lá antes, mas apenas depois de se “livrar” de Matic.

Enzo tinha as mesmas tarefas este ano e reduzia o papel de Samaris ao de um 6 sem liberdade, entalado entre os centrais. A colocação de Talisca no meio-campo veio possibilitar a subida do grego no terreno. Joga uns bons 10 metros à frente, divide espaços com o brasileiro (como fazia a dupla Matic-Enzo) em vez de ser uma sombra nas suas costas. Mas Samaris não subiu sozinho: com ele também avançou a linha de defesa. Jesus voltou a correr riscos maiores. E está a tirar todo o proveito dos mesmos.

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