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Finda a ronda inaugural da agora Liga Sagres ressalta, desde já, uma dúvida pertinente: este Benfica, versão Quique Flores, é diferente ou igual ao das temporadas anteriores?
Se olharmos ao nome do treinador, dos adjuntos e de alguns jogadores parece, efectivamente, que estamos a falar de um novo Benfica, com elementos mais sonantes, oriundos dos grandes palcos. O problema é que, depois de ganhar ilusão nos dois últimos jogos de preparação, a equipa encarnada foi, em Vila do Conde, uma cópia fiel dos últimos anos. Na exibição aos "soluços", na queda para dar de avanço, na súbita capacidade de acelerar o jogo quando em desvantagem e, claro, no resultado final.
É verdade que as águias podem queixar-se de alguma falta de sorte, nomeadamente na lesão de Carlos Martins (provocada por um colega), no remate à trave de Yebda ou no falhanço, já ao cair do pano, de Aimar. Mas, como se costuma dizer, a sorte e o azar são condicionantes que fazem parte do jogo. E tanto interferem com o Benfica, como com todos os outros emblemas.
A escassa produção futebolística na primeira parte é que não teve nada a ver com a sorte. O mesmo, aliás, se aplica à discutível opção de começar o jogo com um só ponta de lança. Se Quique Flores, tal como os seus antecessores, considera que a equipa funciona melhor só com um dianteiro, porque razão, ao intervalo, colocou Nuno Gomes e manteve Cardozo? E se essa opção táctica é tão segura, o que levará o espanhol a colocar Aimar como falso segundo ponta de lança, retirando-o da normal zona de intervenção?
Bom, deixamos as discussões técnico-tácticas lá mais para a frente. Vamos antes aos factos e esses, embora a procissão nem ao adro tenha chegado, não são nada animadores para os homens da Luz.
Esta foi a quarta temporada consecutiva que o Benfica não ganhou de entrada. E começar atrasado em relação aos principais rivais nem seria muito grave se, olhando para o passado recente, não se constatasse que atrasado continuou até ao final!
Coincidência ou não, na última vez que os encarnados ganharam na estreia (3-2, em Aveiro, face ao Beira-Mar), o título pertenceu-lhes...
Caso o Benfica consiga bater o campeão FC Porto na próxima jornada, os efeitos deste tropeção inicial tenderão a dissipar-se, até porque conseguirá, pelo menos, ultrapassar os dragões. Mas, em caso de derrota diante da equipa de Jesualdo, as águias ficarão logo com 5 pontos de desvantagem à segunda jornada. Um cenário que, mesmo sem ser adivinho, acredito poder provocar um "terramoto" na Luz...