O Benfica está fora da ‘Champions’ e o tema da arbitragem volta à liça, sobretudo comparado com aquilo que se passa em Portugal. Afinal, o Benfica não vence tantas vezes quanto quer, por causa das suas limitações ou por causa das arbitragens? Quem conhece o futebol por dentro e alcança os meandros da arbitragem e as relações com o ‘poder económico’ sabe que, considerando os argumentos apresentados pelo Chelsea -- longe dos seus momentos mais arrebatadores, quase todos eles protagonizados no tempo de José Mourinho... --, o futebol apresentado pelo Benfica (apenas ‘razoável’ em Lisboa e ‘muito bom’ em Londres) teria sido suficiente para garantir o apuramento para as meias-finais da ‘Champions’. Mas sabe, ou não, o Benfica que as (actuais) ‘leis do jogo’ são, elas próprias, o maior convite ao tráfico de influências?... Por isso a existência de tanta polémica em redor da arbitragem, como se viu agora no Barcelona-Milan. O mesmo tipo de lances são ‘julgados’ de forma distinta pelos árbitros.
A subjectividade das leis do jogo, contida nas suas 17 regras, alimenta a discussão. Ou se aceita o critério das equipas de arbitragem, o que é uma obscenidade nos tempos que correm, uma vez que a quantidade de imparidades achadas nas sociedades modernas obriga a uma cada vez maior vigilância, regulação e escrutínio; ou se muda radicalmente o conceito de ‘arbitragem’.
A ‘arbitragem’, que em muitos casos determina, através do erro não rectificado, o vencedor de um jogo, de uma eliminatória ou de um campeonato, concorrendo para promoções, despromoções, demissões e transferência de milhões, deve ser um processo unívoco resultante da visão condicionada de um, três, cinco ou seis árbitros que não têm acesso, em tempo real, às repetições televisivas? Quem acha que sim, isto é, quem concorda com o actual sistema de arbitragem dos jogos, perde o direito a contestar seja o que for. Porque aceita o princípio de que, em cada jogo e sem recurso à tecnologia, os árbitros e os seus critérios são soberanos.
Quem contesta o actual ‘modelo de arbitragem’ não o deve fazer apenas para sacudir a água do capote e expiar pecados, mas de uma forma – como dizer? – não populista. O lance de Javi García sobre Cole pode ser interpretado à margem das leis e não como carga de ombro; mas o critério disciplinar utilizado pelo esloveno Damir Skomina na primeira parte condicionou, sem justificação, todo o jogo do Benfica. Quem gosta de futebol e de... ‘justiça no futebol’ terá muita dificuldade em aceitar uma expulsão, num jogo desta importância, por causa de um protesto e de uma entrada mais dura. Uma expulsão deve penalizar, conceptualmemte, uma atitude de extrema gravidade -- e as actuais ‘leis do jogo’ conferem ao árbitro a faculdade de expulsar um jogador, no fundo, quando bem entender.
Para que fique claro: as actuais ‘leis do jogo’ e o seu grau de subjectividade são, repito, um convite a todo o tipo de tráfico de influências. E, por isso, tendencialmente, os mais ricos continuarão mais ricos. Vieira promete fazer queixa à FPF. E a FPF vai fazer queixa a quem? À FIFA e à UEFA, que distribuem os milhões e, com eles, ‘escravizam’ as Federações à custa de um militante mercantilismo?!...