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Benfica sem margem de erro

Virtualmente eliminado da Taça UEFA depois da copiosa derrota em Atenas (e da conjugação dos resultados da ronda seguinte), o Benfica também já se despediu da Taça de Portugal. No mesmo local (Estádio do Mar) onde deixara 2 pontos em embate da Liga, a formação encarnada voltou a "naufragar". Só que, desta feita, o deslize não foi apenas um resultado negativo: custou um dos objectivos da temporada.

Sendo certo que ainda existe a Taça da Liga - prova que enquanto não valer um posto europeu dificilmente será encarada com o respeito que os organizadores desejam -, a verdade é que, antes do Natal, o Benfica já só tem a Liga para salvar a época. Vencer o Campeonato será suficiente para apagar os insucessos anteriores. Contudo, tudo o que não seja arrebatar a principal competição interna irá transformar a temporada encarnada num rotundo fracasso.

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Perante um forte investimento, com a contratação de jogadores de inquestionável valia e oriundos de campeonatos mais cotados, desta vez nem o apuramento para a Liga dos Campeões chegará para limpar a face ou satisfazer os adeptos.

Quique Flores, pese algumas decisões discutíveis (nomeadamente nos primeiros jogos), tem contado com a compreensão dos associados e simpatizantes para, com sobressaltos à mistura, ir desenvolvendo o seu trabalho. Porém, face ao novo cenário, também ele sabe que, a partir de agora, o grau de exigência vai aumentar. Duvido que, no futuro, voltem a ouvir-se palmas na Luz quando os resultados não forem vitórias. O período de "encantamento" terminou em Matosinhos, embora muitos possam argumentar que a equipa foi afastada por falta de sorte nos penáltis, já que nos 120 minutos não sofreu golos. Tal observação é correcta, mas convém recodar que, na estreia benfiquista na Taça de Portugal desta época (diante do Penafiel), só as grandes penalidades salvaram o Benfica face a um opositor... do terceiro escalão do futebol luso!

É verdade que o Benfica ainda não perdeu um jogo nas competições internas esta época. Mas, ao contrário do que seria suposto, tal registo não vale uma liderança folgada na Liga, nem a continuidade na Taça. Tudo porque a irregularidade exibicional - facilmente constada nos golos sofridos nos últimos minutos ou na forma pouco intensa como a equipa encara alguns compromissos - teima em ser uma das imagens de marca da equipa.

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Não deixa de ser curioso, de facto, a estranha tendência das águias para os altos e baixos. Na Europa, a equipa que conseguiu dobrar o Nápoles (a realizar excelente época em Itália) foi vulgarizada pelo Galatasary e humilhada pelo Olympiacos, enquanto em Portugal a oscilação tanto permite ganhar ao Sporting ou golear o Marítimo fora, como ser incapaz de fazer golos a Penafiel ou Leixões em jogos de duas horas...

PS - À primeira (em Basileia), a coisa ainda passou algo despercebida, mas agora (no triunfo caseiro perante o Marítimo) foram poucos os que não repararam na estranha apatia de Yannick Djaló aquando da marcação dos seus golos. Já sei que para alguns responsáveis (e adeptos) leoninos, o não festejar remates certeiros deve ter uma qualquer justificação lógica mas, para mim, há ali qualquer coisa. Imaginem que os sócios não se levantavam ou batiam palmas aquando de um golo. Não iriam jogadores e dirigentes desconfiar de algo?

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