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Qualquer sócio pode usar os meios ao dispor, se não confia no sistema.
Virgílio Duque Vieira, 28 de outubro de 2020
Para enquadrar esta declaração, cumpre analisar a cronologia do último ato eleitoral do Sport Lisboa e Benfica.
1. "naquele ano de 2006 o sistema informático, que ainda hoje se mantém, foi então verificado pela Comissão Nacional de Eleições que lhe deu o seu assentimento"
Virgílio Duque Vieira, no site do Sport Lisboa e Benfica, 6.10.2020
Tal afirmação demonstrou-se, certamente por lapso, falsa. A Comissão Nacional de Eleições declarou que "não se tratou de aprovar ou certificar esse processo de votação, porque qualquer das atribuições ou competências da CNE não incide sobre atos eleitorais promovidos por entidades privadas", conforme indicou em resposta escrita aos associados do Benfica que a questionaram sobre o efeito. O mesmo lapso foi reiterado, por escrito, na carta dirigida por Vieira (o Duque) aos associados correspondentes do Sport Lisboa e Benfica.
2. "convidarei cada uma delas a indicar um técnico informático para, em sua representação, monitorizar todo o sistema junto dos serviços informáticos do Clube, bem como acompanhar com estes o processo de votação no dia das eleições"
Virgílio Duque Vieira, no site do Sport Lisboa e Benfica, 6.10.2020
Tal afirmação demonstrou-se, certamente, por lapso, falsa. Virgílio Duque Vieira não convidou as listas concorrentes a indicar qualquer técnico, e não permitiu a qualquer representação das listas acompanhar o processo de votação no dia das eleições. Certamente por receio que os mesmos pudessem manipular o sistema, o que se compreende.
3. "convidarei também um representante de cada uma das candidaturas para uma exposição sobre todo o procedimento da votação, nomeadamente, no que diz respeito à garantia de confidencialidade da opção escolhida por cada sócio"
Tal afirmação demonstrou-se, certamente por lapso, falsa. Virgílio Duque Vieira nunca fez qualquer exposição sobre todo o procedimento da votação, e em momento algum demonstrou existir a garantia de confidencialidade da opção escolhida por cada sócio. Tal demonstração poderia, na realidade, colocar em causa a confidencialidade do voto dos sócios. Ora, coração que não vê é coração que não sente, já dizia muito boa gente.
4. "Ainda assim, para que, por um lado, não subsistam quaisquer dúvidas nos benfiquistas quanto à correção e seriedade na votação e nos resultados finais apurados e, por outro, para que mais facilmente se realize eventual recontagem de votos em caso de necessidade, irá ser acoplado, a cada um dos pontos informáticos onde os sócios votarão, um equipamento que imprimirá em papel o número de votos e a candidatura votada."
Tal informação demonstrou-se parcialmente correta, o que deveria merecer rasgado elogio por parte dos sócios do Benfica, tantas vezes portadores de uma curta memória. Virgílio Duque Vieira considerou que a correção e seriedade da votação e dos resultados finais apurados dependia da confirmação do voto eletrónico com um voto em papel.
Mais tarde, a meras horas do final das eleições, informou os sócios que os mesmos não seriam contados. Terá entendido, e bem, que a rapidez na conclusão de um já tão longo e histórico ato eleitoral, não carecia de maior prolongamento, num dia de si já bastante cansativo para os sócios do Benfica (recorde-se que a eleição ocorreu a um dia de semana, ou seja, num dia de trabalho para a maioria dos 38 mil sócios que participaram no ato eleitoral).
Ora, das palavras do PMAG (em substituição, sabemos) do Sport Lisboa e Benfica, decorre quem sem a devida confirmação, os sócios não puderam atestar a correção e seriedade da votação, nem tão pouco dos resultados finais da mesma.
Foi por isso mesmo que na passada sexta-feira três sócios do Benfica, no exercício livre e ponderado dos seus direitos enquanto associados – imagine-se só o desplante – terão decidido requerer ao recém-eleito PMAG do Sport Lisboa e Benfica inéditos esclarecimentos, em função dos meros lapsos acima descritos e da não concretização do pressuposto indicado pelo próprio PMAG (em substituição) como sendo um requisito para a correção e seriedade da votação e dos resultados finais.
Ou seja, e apenas para clarificar: três sócios do Sport Lisboa e Benfica pediram para ser esclarecidos sobre uma eleição, apenas porque Vieira, o substituto, considerou não ser a mesma correta ou séria, de acordo com os critérios que o próprio indicou aos sócios a 6 de outubro, no site oficial do clube!
Esta postura não é naturalmente aceitável. Até porque o pressuposto apresentado pelo substituto ex-PMAG para uma eleição correta ou séria poderá não ter passado de um mero lapso.
Com que direito se arrogam estes sócios de colocar em causa a palavra do ex-PMAG em substituição, apenas pelo facto de o mesmo ter faltado à verdade – por lapso - aos sócios por três ou mais vezes no mesmo comunicado? Só por manifesta má fé estes sócios (e os mais de dois mil subscritores da petição de apoio ao requerimento) podem vir agora exercer os seus direitos.
E tal deverá merecer, obviamente, a maior repulsa dos órgãos sociais do Sport Lisboa e Benfica.
Tem a palavra o novo PMAG (efetivo) do Sport Lisboa e Benfica.
Nota: foi ignorada neste texto a promessa feita no comunicado de 6 de outubro no sentido de "desenvolver diligências junto dos órgãos de comunicação do Clube, designadamente junto da BTV, de modo a que seja concedido tempo de antena a cada uma das candidaturas entregues e aceites, para que possam esclarecer os sócios dos seus propósitos". Por unanimidade do autor.
Gonçalo Pereira, sócio 58695 do Sport Lisboa e Benfica
Por Gonçalo Pereira