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Talvez o tempo esclareça o que fez o atual presidente do Sporting atirar a toalha ao chão depois de mais uma humilhante derrota em Alvalade frente a um valoroso Paços de Ferreira. Um indício aponta para a possibilidade de ter sido apenas mais um impulso de momento. Como o que o levou a jurar amor clubístico eterno a Paulo Bento, ou a chamar maçã podre a João Moutinho, entre outras tiradas próximas da inimputabilidade. O grande indício de que a demissão pode ter sido só aquele coração quente de adepto a bater demasiado próximo do cérebro é a contratação de José Couceiro para o cargo de diretor-geral.
Então um presidente, alegadamente com perfil de gestor, contrata um importante e dispendioso quadro no princípio do mês, para depois se demitir quando o mesmo mês vai a meio?
A contratação de Couceiro indicia – se José Eduardo Bettencourt não está acometido de demência constante – que o presidente do Sporting não tinha intenção de se demitir quando assinou tão relevante compromisso.
Se Bettencourt já pensava em demitir-se quando colocou mais uma pedra sobre o muro de défice da instituição a que ainda preside, então o caso é bem mais grave: tratou de condicionar e encarecer as futuras opções de quem tomar agora as rédeas do clube.
Durante toda a sua passagem pela liderança do Sporting, Bettencourt foi errático quanto ao entra e sai de treinadores e dirigentes desportivos profissionais. Por acréscimo, a política de contratações não fortaleceu a equipa, que mais parece um molho desgarrado de jogadores sem soluções coletivas nem brilho.
Deixar o cargo é a medida mais acertada das tomadas por este presidente, que sai com a marca-Sporting mais pobre e desgastada do que a encontrou.