Boavista ataca Hermínio

O Boavista bateu com a porta e renunciou ao cargo que ocupava na direcção da Liga. É um direito que lhe assiste. E se os seus responsáveis consideram que o clube está a ser prejudicado (e/ou que outro está a ser ajudado), esta parece-me ser a medida mais adequada. Mas, independentemente da razão que possa assistir ao clube do Bessa, não deixa de ser curioso constatar a forma como os dirigentes, na pessoa de Álvaro Braga Júnior, sustentaram a respectiva argumentação para deixar Hermínio Loureiro a fazer contas à vida (recorde-se que, recentemente, na sequência da "novela do Algarve", também o Sporting saiu).

Segundo os boavisteiros, a Oliveirense "está a ser levada ao colo". E, claro está, insinuam que o facto de Hermínio ser de Oliveira de Azeméis ajuda a explicar muitas coisas. Aliás, questionam, inclusive, o porquê do líder da Liga ter chegado ao estádio da colectividade da sua terra cerca de 3 horas antes do início do jogo com o Olhanense.

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Não faço ideia se o Boavista tem razões concretas para se queixar do trabalho dos árbitros nas suas partidas. E também não sei se a Oliveirense anda a ser "empurrada para cima". Dou de barato que tudo isso possa ser verdade. Mas, antes de se poder avaliar estas questões que, como sabemos, são quase sempre deveras subjectivas, tenho de começar por dizer que tinha dificuldades em ver os axadrezados a fazer parte da direcção de uma Liga que se diz (e deseja) profissional. Envolto num mar de dívidas, o popular clube do Bessa não devia, por razões óbvias, desempenhar esse cargo. Que imagem passa uma organização que, em cargos importantes, permite o assento a um clube que, por razões várias é certo, não cumpre com uma série de requisitos para poder jogar na Liga Vitalis? Não é um caso único, eu sei, mas não deixa de ser algo ilógico.

Regressemos a Hermínio Loureiro e à Oliveirense. Concordo que, como diz o povo, "à mulher de César não bastar ser séria, tem de parecer". Mas, o presidente da Liga é o único dirigente do organismo com um passado desportivo? Não sucede o mesmo com todos os outros? Mais: quando o Boavista conseguiu o seu único título, o presidente da Liga não era um boavisteiro? Não era alguém que, pouco tempo antes, tinha sido líder do clube do Bessa? E, por acaso, não era pai do então presidente do clube? E nunca esteve no(s) estádio(s) a assistir a jogos da equipa orientada por Jaime Pacheco? Nessa altura, Álvaro Braga Júnior não ficou incomodado com a situação? É que se bem me recordo, havia por aí muita gente (leia-se clubes e dirigentes) a falar de constantes favorecimentos ao Boavista...

Não tenho nada contra o Boavista (nem a favor da Oliveirense, admitindo, contudo, saber que parte do coração de Hermínio sofre muito pelo clube da sua terra) e reafirmo não fazer ideia se tem razões concretas para fazer barulho. Penso é que, nesta altura, os seus dirigentes deviam concentrar esforços para tentar salvar o clube. Uma eventual descida de divisão não é, seguramente, o maior fantasma que, de momento, paira sobre o Bessa.

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