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O saudável fenómeno que tomou a cidade de Braga – milhares e mais milhares de pessoas que não são de outro clube para lá do seu Sporting de Braga – combate o macrocefalismo pacóvio e ancestral com sede em Lisboa e sucursal no Porto.
É saudável que as gentes de uma cidade se revejam nos êxitos do seu clube, jogue ele contra quem jogar. Assim se passa também em Guimarães, em Setúbal e, em muito menor escala, em Coimbra.
Este orgulhoso foral futebolístico está longe de ser obtido em Leiria, Aveiro, Portimão ou mesmo no Funchal. Claro que para se produzir esta identificação afetiva entre o sujeito e o clube – acima de todos os outros – é essencial a possibilidade de êxito desportivo. Poucas crianças aderem a uma paixão clubística se não virem a suas cores vencer com frequência.
Foi o grande Vitória de Setúbal de Fernando Vaz e Pedroto, foi a dinâmica positiva conseguida em Guimarães na longa liderança de Pimenta Machado, foram as vitórias, são as vitórias que sempre chamaram as massas à partilha da euforia.
O que está a passar-se em Braga é notável: filhos de benfiquistas, principalmente, escolhem ser Braga, só Braga.
Mas esta dinâmica de afetos constantes não resiste a tudo. É necessário regar a paixão dos mais jovens com vitórias frequentes. Por isso o Sporting regista alguma dificuldade na renovação etária dos seus adeptos. Por isso o FC Porto cresce na penetração do Sul – testemunho o crescimento dos azuis e brancos de forma sustentada entre a miudagem da península de Setúbal. Algo impensável até há 20 anos. E só possível porque o Vitória de Setúbal joga agora para não descer.
Que a Braga e à sua afirmação clubística se juntem mais e mais cidades. Só assim teríamos melhor futebol. E até um melhor país.