Castigo a Luisão não é suficiente

Castigo a Luisão não é suficiente

Nenhuma ou quase nenhuma surpresa no castigo aplicado pela secção não profissional do Conselho de Disciplina da FPF ao jogador e capitão do Benfica, Luisão.

A dúvida, se dúvida existia, e ela instala-se pela quantidade de exemplos que emanam de uma certa “prestidigitação jurídica” (do arco da velha), tinha a ver com a dupla interpretação retirada do incidente: tratou-se ou não de agressão? O Benfica defendia que não; o Conselho de Disciplina entendeu que sim. Fez bem.

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Na realidade, o capitão do Benfica, quando correu em direcção ao árbitro Fischer e não estugou o passo, derrubando-o, protagonizou um momento infeliz e expôs-se, naturalmente, a uma sanção disciplinar.

Luisão não escorregou, não foi empurrado; só ele próprio pode explicar por que partiu para cima do árbitro. Não teria a intenção de o lesionar? Quase seguramente. Mas isso não desculpabiliza o acto que protagonizou.

Se os relatórios médicos tivessem identificado uma lesão grave do árbitro estaríamos a falar de uma sanção muito mais pesada. Assim, no quadro de uma agressão, o Conselho de Disciplina decidiu-se pela sanção mais leve: dois meses de suspensão. Poderia ter sido pior? Podia. Bastava, por exemplo, que o CD da FPF tivesse valorizado pela negativa o facto de Luisão ser o capitão do Benfica, o que poderia concorrer para agravar a pena e não para a desagravar.

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Embora a “prestidigitação jurídica” dê para quase tudo, não vejo portanto nenhuma vantagem prática num recurso do Benfica para o Conselho de Justiça. A aposta no arquivamento contemplava muito poucas possibilidades de colher vencimento. Mas já se sabe que os alçapões e as variáveis são tão grandes que normalmente há a tentação de apostar na roleta em que se constituiu a “justiça desportiva”...

Como escrevi em 18 de Agosto, quando ainda havia pouca opinião publicada, o Benfica “perdeu a cara” e “vai perder o jogador”. Prova-se agora que o Benfica orientou mal a sua estratégia em relação ao “caso”. O Benfica fez aquilo que costuma fazer, em situações idênticas no futebol: desculpar o indesculpável. Não ponderou a fundo um eventual cenário de perda de mais um jogador vital para Jorge Jesus.

Em menos de um mês, embora por razões diferentes, o Benfica perde 3 pilares essenciais da equipa que alcançou o título de campeão nacional na primeira época de Jorge Jesus à frente da equipa encarnada. É verdade que não recusou a necessidade de arrecadar receitas que são vitais para o seu equilíbrio financeiro, mas não acautelou nem as saídas de Javi García (Matic “não pode” lesionar-se) e Witsel, nem o-mais-que-provável castigo a Luisão.

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