Opinião
Rui Santos

Chegará... ser Benfica?

O mercado fechou até final do ano e o FC Porto foi o único candidato ao título que aproveitou a janela de transferências para dar (alguma) resposta às carências que identificou no plantel: contratou um defesa-esquerdo, ou, melhor dizendo, um lateral versátil, que joga em ambos os flancos, Layún, e pode ser utilizado, se necessário, no meio-campo e adquiriu um jogador de corredor, Corona, com uma dose de ‘génio’ superior, em média, àquilo que Tello e Varela agora emprestam à equipa.

Viu bem o FC Porto, que está numa situação limite em termos de (mais) investimento para recuperar o título que perdeu há duas épocas, mas isso não quer dizer que tenha resolvido todos os seus problemas, até porque o treinador, Lopetegui, está longe de ser reconhecido, até pela família portista, como a figura-chave para consumar a recuperação, uma vez que revela grandes dificuldades para definir e consolidar processos que são basilares em qualquer equipa de alto rendimento.

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Sem se perceber, neste momento, o que pode pesar no onze a contratação do ponta-de-lança Osvaldo (não é fácil fazer esquecer Jackson Martínez), as aquisições mexicanas, Layún e Corona, servem em tese para compensar as saídas de Alex Sandro e Quaresma, mas estão a chegar agora e há alguma emergência na sua utilização, uma vez que as soluções até agora achadas naqueles lugares têm-se revelado insuficientes. Essa pressão nunca é boa, com as competições a decorrer, e há outros dois aspectos que importa considerar: a ausência de um defesa-central de grande nível internacional (Maicon, Marcano e Indi constituem manta curta…), os condicionalismos tácticos inerentes à ‘imprescindibilidade’ da dupla Danilo-Imbula – para funcionar o francês têm de melhorar muito os seus níveis físicos – e, repito, para além do sucesso ou não da tentativa de fixar Brahimi a ‘10’ (boa aposta, no meu entender), a eficácia na zona do ponta-de-lança.

Uma nota suplementar: acredito muito em Rúben Neves e espero que ele não se deixe apagar no meio do ‘furacão Lopetegui’… Será que o técnico espanhol vai perder-se outra vez no labirinto das muitas soluções oferecidas pela SAD portista, entre as quais André André, Sérgio Oliveira e Bueno emergem como soluções muito válidas?

O Sporting está num plano diferente: apostou fortíssimo na contratação de um treinador (Jorge Jesus), enfraquecendo simultaneamente, neste ponto, o rival Benfica, e as consequências dessa aposta já são visíveis, apesar da eliminação da Champions: um futebol mais exigente e os jogadores mais envolvidos no compromisso colectivo.

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Apesar das tentativas, o Sporting acabou por não resolver totalmente o seu ‘calcanhar-de-aquiles’, no eixo central da defesa: continua a faltar um indiscutível ‘patrão’ no quarteto defensivo. O regresso de William Carvalho e o imperativo de vender suscitado pela não entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões, apesar de ser o mercado a ditar a natureza da procura, vão ditar, em Dezembro/Janeiro, pelo menos uma saída no plantel. Depois da entrada de Aquilani e até de Bruno Paulista, o Sporting ‘aguenta’ ficar sem um dos seus médios nucleares; não é drama… Do meio-campo para a frente, as soluções são boas. Um problema: o cansaço de Bryan Ruiz, talvez o jogador da equipa mais evoluído tacticamente, que pode ser compensado com um futebolista sem a mesma maturidade, mas com um talento enormíssimo: Gelson. Este miúdo vai longe e está em óptimas mãos. Outro condicionalismo: nem sempre Teo e Slimani vão caber no onze, mas esse é um problema bom…

Finalmente, o Benfica, cujo plantel já vinha perdendo valor, ainda no tempo de Jorge Jesus, o que obrigou o técnico a arranjar algumas soluções de recurso, como foi por exemplo o caso de Pizzi. O Benfica tem, hoje, o plantel de menor qualidade, considerando os candidatos ao título. Nélson Semedo tem ‘pinta’ mas ainda não faz esquecer Maxi. Luisão está com um ano a mais e Eliseu está na fase descendente da carreira, sem frescura para grandes raides. Samaris e Pizzi vão chegando para as (pequenas) encomendas, mas não têm nem nunca terão a dimensão de jogadores como Javi García, Matic ou Enzo Pérez, todos atletas ‘alavancados’ pelo ‘efeito JJ’. Se Gaitán tivesse saído seria potencial desastre. O regresso de Salvio, a prazo, vai compor, mas até lá… Grande dúvida: Mitroglou e Jiménez vão ‘casar’ com Jonas? Benfica perde treinador, perde qualidade no plantel, mas… é o Benfica. Chegará ser Benfica?!…

 

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JARDIM DAS ESTRELAS -- 5 ESTRELAS

O futebol e os refugiados

Pela sua força enquanto indústria, pela sua força mediática, o futebol pode ser um grande veículo para fazer a multiplicação do exemplo… Estamos fartos de ver figuras do futebol aproveitarem-se dessa força para, alegando generosidade e solidariedade nalgumas situações, somarem prestígio e euros às suas generosas contas bancárias. O minuto de silêncio que a Selecção Nacional fez antes do treino, num convite à reflexão em plena crise dos refugiados na Europa, não tem marketing associado e ninguém cobra por isso. A vida humana é, para nós, ocidentais, um valor supremo. E tem de continuar a ser. Não podemos encolher os ombros. O exemplo do Bayern Munique ainda é mais relevante: anunciou um plano para integração de refugiados, investindo 1 milhão de euros em iniciativas que visam reduzir o impacto negativo deste drama. O futebol não se pode nem deve substituir-se aos Estados e aos Governos, mas pode ser um veículo determinante na disseminação do exemplo. Em situações tão dramáticas quanto esta e noutras. O ‘futebol social’ precisa de se unir.

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O cacto -- Falta de senso

Bem sabemos que o Arouca conseguiu vencer o Benfica em Aveiro, conseguindo rentabilizar desportiva e financeiramente a visita do bicampeão nacional, mas está visto que o regulamento de competições, recentemente alterado, continua em muitos aspectos a não salvaguardar a equidade desportiva. Veja-se agora o caso do FC Porto: vai a Arouca! O argumento da presença dos ‘emigrantes’ pode valer para se conseguir não jogar literalmente em ‘casa’? Que regulamentos são estes que aprovam a possibilidade de se fazer 5 jogos nestas condições?! Não se pode consentir tamanha desigualdade… sem fundamentação adequada.

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Por Rui Santos
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