Ao sofrer um golo nos descontos, de forma tão acrobática quanto anedótica, o Benfica não conseguiu derrotar o V. Setúbal, na Luz, no fecho da 10.ª jornada da Liga. Como consequência directa, as águias não aproveitaram o deslize caseiro do Leixões (curiosamente também encaixou um golo no período de compensação, perante a Naval) para assaltar a liderança da Liga e, ao mesmo tempo, viram Sporting e FC Porto aproximarem-se.
Depois de ter chegado ao intervalo em desvantagem, o Benfica realizou, no arranque da segunda metade, talvez os melhores 20 minutos da temporada. Marcou duas vezes, criou várias situações e podia (e devia) ter acabado com o jogo. Mas, como em situações anteriores - nomeadamente nas partidas em casa -, os encarnados voltaram a cair numa estranha letargia que os levou, primeiro, a perder o controlo das operações; depois a recuar de forma perigosa até... o adversário empatar.
Os sadinos, naturalmente, tiveram mérito no resultado alcançado. Mal seria que uma equipa que marca 2 golos na Luz não tivesse feito nada por isso. Mas, objectivamente, para além do empenho sadino, o 2-2 só foi possível porque o Benfica facilitou. E muito! Colectivamente, já se disse, o recuo no terreno foi uma opção errada, pois se tal era compreensível com 2 golos de vantagem ou se a equipa estivesse em inferioridade numérica, com um magro 2-1 era... evitável. Mas, bem mais grave, foi ver a forma como Quim deixou que um lance aparentemente inofensivo resultasse em golo.
O experiente guardião, há uns meses, exibia-se em grande nível. Justificava, tanto no Benfica como na Selecção, a titularidade. Mas, a exemplo de tantos outros guarda-redes de nomedada, está a atravessar agora um período de menor fulgor. Os 13 golos sofridos nos últimos 13 dias não foram só obra do acaso. Nem estiveram todos directamente ligados à inspiração alheia ou à falta de sorte. Em alguns, como este que impediu o Benfica de voltar ao comando do Nacional 1289 (!!!) dias depois, Quim foi o principal responsável.
Quique Flores tem dito, desde o início, que ninguém é intocável na sua equipa. Concordo com a premissa. E é exactamente por isso que considero ter chegado a altura de Moreira voltar a ser o dono da baliza encarnada. Nos "testes" que tem efectuado, na Taça de Portugal, o actual suplente tem cumprido sem sobressaltos, pelo que merece uma chance.
É verdade que Quim não pode ser o único culpado dos súbitos deslizes do Benfica (ou da Selecção), mas também é preciso perceber que, tal como qualquer outro elemento, não tem lugar cativo. E se um dia, após uma goleada sofrida no Restelo, foi Moreira - que até foi o melhor elemento da equipa nesse duelo - a ser relegado para o banco, é de elementar justiça que agora aconteça o contrário.