_

Opinião
Paulo Pereira Selecionador nacional de andebol

Cristiano Ronaldo é uma figura universal

Portugal está a viver mais uma participação num Campeonato do Mundo de futebol com aquilo que sempre distinguiu as grandes seleções: ambição, talento e um enorme sentido de responsabilidade perante o país. Independentemente dos resultados, creio que é importante reconhecer o trabalho, a dedicação e o orgulho com que os jogadores representam as nossas cores.

Tive recentemente a oportunidade de assistir ao vivo ao último jogo de Portugal, na Avenida dos Aliados, no Porto, rodeado de milhares de pessoas. Foi uma experiência que me permitiu perceber, uma vez mais, a dimensão extraordinária que o futebol tem na sociedade portuguesa. Ver famílias inteiras, jovens e menos jovens, unidos pela mesma camisola e pela mesma emoção, mostrou-me como o desporto consegue criar momentos únicos de comunhão e identidade nacional.

PUB

Algo que também me chamou a atenção foi a presença de muitos estrangeiros, muitas vezes famílias inteiras, vestindo a camisola de Cristiano Ronaldo. Isso demonstra que o impacto do futebol português vai muito além das nossas fronteiras e que Cristiano se tornou uma figura universal, capaz de aproximar pessoas de diferentes culturas, línguas e nacionalidades. É um motivo de orgulho para Portugal e um sinal da influência positiva que o desporto pode ter no mundo.

Naturalmente, muito do foco recai sobre Cristiano Ronaldo. Isso acontece porque estamos a falar de um atleta absolutamente singular na história do desporto português e mundial. A sua idade gera debate, como é normal quando um jogador permanece tantos anos ao mais alto nível. Mas, mais do que discutir números, devemos valorizar aquilo que continua a oferecer: experiência, liderança, exigência competitiva e uma capacidade rara de inspirar companheiros e adeptos. Quanto à questão de continuar ou não a representar a Seleção Nacional, de jogar mais ou menos tempo, é um tipo de decisão que só pode ser verdadeiramente avaliado por quem está dentro da equipa, do balneário e das dinâmicas do grupo. Quem observa de fora tem naturalmente o direito à sua opinião, mas dificilmente dispõe de toda a informação necessária para fazer uma avaliação completa. As opiniões fazem parte do processo, mas o respeito pelo percurso de quem tanto deu a Portugal deve unir-nos mais do que dividir-nos.

Enquanto treinador de uma seleção nacional, sei que as equipas são sempre maiores do que qualquer individualidade. Os títulos, as grandes campanhas e os momentos que ficam na memória coletiva constroem-se através do grupo. É isso que também vejo na Seleção Nacional de futebol: um conjunto de jogadores e profissionais que trabalham para honrar Portugal.

PUB

No andebol, temos o privilégio de sermos conhecidos como os “Heróis do Mar”. É uma designação que transporta um simbolismo muito forte. Recorda-nos a coragem, a capacidade de enfrentar desafios e o espírito de superação que fazem parte da nossa identidade enquanto povo. Mas, acima de tudo, lembra-nos que representamos todos os portugueses, independentemente da modalidade.

Por isso, acredito que este é um momento para reforçar a unidade nacional. É incrível a sensação de podermos despertar sentimentos e emoções nos nossos seguidores. Futebol, andebol ou qualquer outra modalidade: quando uma seleção entra em campo, leva consigo os sonhos e a esperança de milhões de pessoas. Podemos ter opiniões diferentes sobre opções, estratégias ou jogadores, mas há algo que nos deve unir sempre: o orgulho de ver Portugal competir entre os melhores do mundo.

É essa união, esse sentimento de pertença e esse apoio coletivo que tornam o desporto tão especial e que ajudam as nossas seleções a superar limites. Força Portugal.

PUB

Por Paulo Pereira
4
Deixe o seu comentário
PUB
PUB