Crónica de um adeus anunciado

O Sporting está em “pé de guerra”. Contra Paulo Costa. Contra quem nomeia os árbitros. Contra o “status quo” que, no entender de muitos dirigentes e adeptos, é culpado por a equipa, em teoria, estar fora da corrida ao título. Terá legitimidade esta onda de indignação?

Pontualmente penso que sim, pois rara é a semana que não temos oportunidade de constatar erros grosseiros nos relvados lusos e, claro, os homens de Alvalade já foram prejudicados, com destaque para a célebre mão de Ronny que custou 1 ponto. Mas, em abono da verdade, convém ter presente que chegar ao fim de uma partida com o sentimento de que alguns pontos “voaram” de forma injusta (e imoral) não é exclusivo do Sporting.

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Isso é válido para todos os clubes que, grosso modo, são prejudicados uns dias e beneficiados noutros. E tentar estabelecer um “ranking” de quem mais vezes é “empurrado” para cima ou para baixo é um mero exercício especulativo, pois existem lances que, mesmo após as imagens da TV, são inconclusivos. Ou melhor: a conclusão depende (muito) da paixão clubística de cada um.

Aceito que o Sporting terá renunciado à candidatura ao título em Leiria. Mas, ao invés de muitos, penso que o adeus começou há meses. Se calhar... antes da Liga arrancar! Sabendo que a maioria dos adeptos leoninos não concorda comigo, considero que os leões entrarem em desvantagem no despique com FC Porto e Benfica. Os dragões possuem um plantel mais extenso, com duas ou mais soluções de nível em todas as posições. E mesmo tendo um onze base mais jovem que o Sporting, a verdade é que apresentam um conjunto com outra solidez competitiva, mais “batido”. É por isso que entraram aos soluços na Europa (ao invés do Sporting), mas lograram dar a volta. É também por isso que seguem em primeiro na Liga, mesmo depois de um período de menor fulgor.

Já as águias terão apenas 13-14 futebolistas “a sério”. É pouco para acudir a “todos os fogos”, mas vai dando para gerir, em condições de tentar um “forcing” final, a candidatura ao título. O crente Fernando Santos só tem de pedir é para todos os seus “ases” estarem à disposição no momento das “finais” que se avizinham.

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O Sporting tem bons jogadores e uma margem de progressão tremenda em boa meia dúzia de talentos, mas daí a pensar-se que possuía “armamento” suficiente para atacar o título... foi um erro. Independentemente da qualidade, qual é a experiência ao mais alto nível de Veloso, Djaló, Nani, Pereirinha, Ronny ou Miguel Garcia? Nem todos os jovens conseguem fazer uma transição tão modelar entre a formação e o alto rendimento como João Moutinho.

Tudo poderia ter sido diferente se Romagnoli (sempre irregular), João Alves (longe vai o fulgor), Carlos Martins (mais um ano desperdiçado), Custódio (capitão que não é titular indiscutível), Farnerud (inadaptado ou incompreendido), Paredes (muito tempo lesionado), Bueno (a jornada de glória com o Nacional não salva a temporada), Abel (Bento demorou a “recuperá-lo”) e Alecsandro (paulatinamente foi perdendo protagonismo) tivessem sido apostas ganhas. Ainda assim, a questão talvez pudesse ter sido “retocada” na reabertura do mercado. Só que, ao invés, do que sucedeu no passado, agora o clube não teve euros para desencantar os “jokers” necessários. Se dúvidas existissem... as chances leoninas terminaram aí.

É verdade que se pode também falar em falta de sorte. E o Sporting, efectivamente, não foi feliz em Leiria ou Paços Ferreira, por exemplo. Mas, entre outros, também se pode dizer que o FC Porto teve “galo” em Leiria (onde esteve mais perto da vitória que o Sporting e acabou derrotado) e em casa com o Estrela da Amadora ou o Benfica na recepção ao Boavista ou nos golos sofridos em cima da hora no Dragão e Paços de Ferreira. Ir por aí é entrar na velha discussão dos “ses”. Vale o que vale... nada. O Sporting empatou 5 dos últimos 6 embates. Jogando mal ou bem; com sorte ou azar; prejudicado ou beneficiado. E isso é que conta.

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Regresso a Leiria. Não consigo perceber quem fez o quê no lance entre Liedson e Rossato, pois parece-me que ambos os atletas tentaram ser malandros. Indiscutível foi a agressão do avançado e o consequente vermelho, com o assistente a fazer o que lhe competia: avisar Paulo Costa do sucedido. Filipe Soares Franco diz que não houve intenção de Liedson. Pois não... a “patada” deve ser um tique. Último pormenor: Domingos viu o lance e não tem dúvidas quanto à expulsão. Ainda bem. Pelos vistos só contra o FC Porto é que olha para chão em vez de ter os olhos no relvado.

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