O Benfica depressa descolou do FC Porto no início do campeonato e agora abdicou em definitivo da luta pelo primeiro lugar. Em ambas as situações um elo comum: Roberto e a sua insegurança em lances de bola alta. Durante parte da época, o guarda-redes dos 8 milhões conseguiu disfarçar as insuficiências, que afinal não ultrapassou.
Durante uma longa série de jogos Roberto foi falhando uma saída ou outra, mas sem que do erro resultasse golo. Agora em dois jogos seguidos Roberto voltou a ser posto à prova e voltou a falhar. Primeiro, frente a Postiga, uma saída sem tempo certo deu um precioso golo ao Sporting e obrigou o Benfica a um esforço redobrado para ultrapassar os debilitados rivais. Agora aquele ridículo golo em Braga.
Com este guarda-redes – que tem tanto de bom entre os postes e em saídas frente a adversários isolados, como de péssimo nos lances de bola bombeada por alto –, dificilmente o Benfica poderá atingir dimensão europeia.
A forma como Roberto passou incólume por boa parte da época remete-nos para a falta de cientificidade que ainda sobrevive no futebol mesmo a nível internacional (voltarei a este assunto em breve). Em que outro desporto coletivo profissionalizado poderia o guardião do Benfica disfarçar as suas fraquezas em dezenas de encontros por, pura e simplesmente, não ter sido posto à prova? Muitos foram os jogos em que nenhum livre lateral foi executado de molde a expor Roberto ao seu erro. Para azar do Benfica, logo que uma bola sai bombeada ao lado direito de Roberto deu golo. Derrota. E o FC Porto com tapete vermelho num passeio para o título.
Agora que voltou a ficar óbvio onde está o ouro para os adversários do Benfica, veremos como decorre o que resta da época, ainda com três competições onde se aspira à vitória.