1 Finalizado o jogo da segunda mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, Julen Lopetegui não se conteve. A goleada sobre o Basileia motivou o mais rasgado autoelogio que presenciámos na época em curso. Nem Jorge Jesus nos seus tempos áureos de culto da própria personalidade se lembrou de algo tão rebuscado. O treinador do FC Porto aproveitou a qualificação para a fase seguinte da Champions para silenciar críticos e criticar detratores, argumentando que tinha sido a rotatividade na equipa titular, implementada contra tudo e contra todos desde o início da temporada, a responsável pelo momento de glória que os dragões então viviam.
Em suma, esse descanso concedido a alguns elementos-chave revelara-se, no seu entender, precioso para que as estrelas brilhassem na fase decisiva do ano. Compreende-se agora que Lopetegui, demonstrando sempre algum desprezo pelo potencial da maior parte das equipas portuguesas de segunda linha, não se apercebeu do erro de diagnóstico que cometera inicialmente.
Os méritos da rotatividade, exultados após o FC Porto-Basileia, não foram uma mera figura de retórica esgrimida na conjuntura mais conveniente. Lopetegui nunca teve, pura e simplesmente, a noção de que a equipa passeou classe na esmagadora maioria das vezes em que utilizou os melhores jogadores e acumulou desaires comprometedores quando a opção foi a contrária. Com o plantel de luxo de que dispunham, os azuis e brancos só precisavam de criar automatismos entre os artistas recrutados a peso de ouro no último verão e não revelarem uma estranha obsessão pelo descanso destes, conforme André Villas-Boas já provara na última época de ouro dos portistas. Ao abdicar do onze-base, o FC Porto já foi eliminado da Taça de Portugal e da Taça da Liga e deu sem necessidade um avanço mais ou menos confortável ao Benfica no Campeonato. Sobra a Liga dos Campeões... onde o adversário é o Bayern Munique. Será que Lopetegui acredita em milagres?
2 O jogo com Cabo Verde, pontuável para o ranking da FIFA, mostrou que ser internacional A não é, afinal, assim tão difícil. A Seleção Nacional devia ter acesso restrito mesmo para nobres ocasiões como esta.
Por Luís Pedro Sousa