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Deuses da bola

Deuses da bola

Nestes tempos de incerteza nas esferas sérias da vida – as que verdadeiramente interessam, com impostos de assalto, riscos de desagregação europeia, um Mundo em ebulição com o aroma de napalm nos crepúsculos em fundo –, numa área do lazer somos bafejados pela sorte como nunca.

O futebol nunca foi tão fértil. Sim, no futebol há verdadeira alternativa. O cidadão pode escolher Messi ou Ronaldo, Ronaldo ou Messi, sem ter medo de ficar mal servido. Ambos são os melhores de sempre. Este modesto escriba, que sorve futebol desde o início dos anos 70 do findo século, pode garantir, Pelé que perdoe: nunca dois craques tão enormes coexistiram na mesma geração. Para mais no mesmo campeonato. A Messi ou Ronaldo falta apenas levar a respetiva seleção a uma grande conquista internacional. Tudo o resto está lá – Messi, melhor que Maradona; Ronaldo muito melhor do que Cruyff.

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Cada um ao seu estilo, estes dois galácticos enchem a memória dos contemporâneos com feitos sobre-humanos, inacreditáveis. Com Ronaldo e Messi, os jogos Barça-Real merecem páginas inspiradas, convocam os maiores intérpretes das palavras para que qualquer prosa tenha a poética necessária às múltiplas superações que há para descrever. As imagens correm Mundo em direto, mas nem a mais completa alta definição regista todo o volume de cada movimento destes jovens deuses bafejados pelo génio. É precisa a poesia. Só poesia e música podem eternizar a harmonia destes duelos.

P.S. – Um Sporting arrumado sem recurso a invenções bateu o pé ao FC Porto. O primeiro penálti é uma vergonhosa interpretação da arbitragem numa mão inevitável. Basta ver as imagens dos movimentos do jogador e da bola na velocidade real. Um penálti impossível de marcar na área contrária.

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