Mais do que a derrota, o que verdadeiramente me surpreendeu no desaire caseiro do FC Porto perante o Dínamo de Kiev foi a forma atípica como a equipa (não) jogou. Muitos jogadores, inclusive alguns que fazem parte do núcleo duro do conjunto, exibiram-se francamente abaixo das suas potencialidades, contribuindo para uma prestação colectiva bastante aquém do esperado e exigido a este nível.
Depois, para que tudo fosse ainda mais complicado, do lado contrário esteve uma formação sem grandes estrelas, é certo, mas muito bem estruturada: arrumada a defender, inteligente a trocar a bola e sempre capaz de sair em contra-ataque com os olhos postos na baliza portista, aparentemente agora pertença de Nuno. Ou não...
Jesualdo Ferreira, assim como os seus jogadores, recusa-se a atirar a toalha ao chão e continua a falar na possibilidade de seguir em frente na Liga dos Campeões. Faz bem. O discurso só pode ser esse, pois matematicamente falando... nada está perdido. O problema é que o futebol não é uma ciência exacta. Não basta juntar alguns jogadores, melhores que os das equipas contrárias, para garantir vitórias. É preciso mais qualquer coisa, nomeadamente escolher as estratégias adequadas para, em cada embate, facilitar a tarefa dos atletas. E, pese as boas intenções, não me parece que Jesualdo tenha tido as melhores opções neste jogo. A equipa teve sempre mais posse de bola, atacou muito, mas poucas vezes jogou bem. E em determinadas situações fiquei com a ideia de que andava por ali muita rapaziada perdida sem saber o que fazer.
O FC Porto possui, indiscutivelmente, uma equipa acima da média, razão pela qual pode, em Portugal ou na Europa, "dobrar" a maioria dos adversários. O problema é que, ao invés do que sucedia nos últimos anos, agora também ficamos várias vezes com a ideia de que o conjunto portista já não é "aquela máquina". Os altos e baixos sucedem-se, a confiança dos atletas diminui, os adeptos torcem o nariz, a imagem de Jesualdo é cada vez menos consensual e, pelo meio, as vitórias deixam de ser um hábito como lavar os dentes...
PS - Incrível a eficiência ofensiva nesta ronda da Liga dos Campeões. Golos para todos os gostos e feitios e ainda um ror de oportunidades desperdiçadas. O futebol precisa de jogos assim. É com espectáculos do género, recheados de emoção, do "sal e pimenta" próprios do desporto-rei, que o povo se mantém fiel à modalidade. Em Portugal, na Europa, no Mundo!