_

Erros de Jardim

Erros de Jardim

O grande Benfica-Sporting de terça-feira ainda merece um olhar deste escriba, embora já por de mais dissecado pela plêiade de comentadores desportivos portugueses.

O Benfica esmagou sem qualquer dúvida. O resultado podia ter números muito mais expressivos, todos somados na baliza do Sporting.

PUB

Vamos ao que interessa: Jardim, que poderia ter sido bestial no domingo, quase passou a besta dois dias depois. Se o jogo se tivesse realizado no dia aprazado, o Sporting teria pelo seu lado o efeito surpresa. O onze que Jardim decidiu lançar na Luz perdia, em relação ao esquema habitual, as rotinas e automatismos, mas tinha a vantagem da ousadia e da surpresa. Na meia hora que antecede a entrada em campo, Jesus não conseguiria mexer as peças para responder ao repto de Jardim de forma tão eficaz como conseguiu dois dias depois. No domingo, Fejsa não iria com tanta harmonia receber e trocar a bola atrás dos dois centrais, que passaram a abrir mais nas alas do que tem sido costume, forçando assim a profundidade atacante aos dois laterais. No domingo, ao 4x4x2 de Jardim o Benfica não teria tempo para responder com um 3x5x2, brilhante e dinâmico, como tão bem fez dois dias depois.

Jardim foi brilhante no domingo e tornou-se medíocre dois dias depois. Nunca se poderá saber como correria o jogo de terça-feira se o Sporting tivesse voltado ao seu esquema habitual, mas Jardim, com a sua inação, deitou fora todo o trabalho de centenas de horas de treino e jogo, sem já ter nada a ganhar com um efeito surpresa que se perdeu com as chapas pelo ar e os farrapos de espuma.

O discurso do treinador do Sporting, após o jogo, pode deixar marcas mais profundas na equipa do que as produzidas por uma mera derrota na Luz. Jardim escondeu o seu insucesso, o seu erro primário, atrás de um ataque cerrado aos jogadores. Criticar a qualidade dos atletas, após o fecho do mercado de inverno, não pode produzir qualquer efeito positivo. É com um Adrien que perde uma bola infantil na passagem do meio-campo, um André Martins com défice de estoicismo para esconder a falta de peso, com um Dier que estava sobre brasas, é com estes, só com estes, que Jardim terá de ir até ao final da época. E, com este discurso público, Jardim pensa ir até onde?

PUB

Deixe o seu comentário
PUB
PUB