1 - Não vi o recente FC Porto-Benfica. Por estar de férias nos Estados Unidos passei ao lado da partida que, a fazer fé nas análises, ficou marcada por um penálti inexistente. Não estou admirado. É só a enésima vez que os resultados do futebol luso (e não só) são adulterados por causa dos erros dos árbitros. O.K., eu sei que eles são humanos e têm direito a falhar. Convivo bem com isso. O que me faz confusão é ver os maiorais do desporto-rei continuarem a considerar que o futebol não precisa de se adaptar aos tempos modernos. Defendo que todas as ajudas que os homens do apito possam ter para melhorar o seu desempenho devem ser aceites, quanto antes, de modo a que a credibilidade do jogo não decresça cada vez mais. Já sei que isso, por si só, não impedirá os juízes de ver penáltis onde eles não existem. Mas, também em relação a isso, pode e deve ser feita alguma coisa. Por exemplo: se um jogador simula uma falta e engana o árbitro, castigar o prevaricador devia ser obrigatório. As imagens televisivas devem ser utilizadas para punir todos os que tentam (e por vezes conseguem) jogar com trunfos ilegais. Se é verdade que o árbitro errou (e deve também pagar por isso), convém ter presente que alguém o enganou... 2 – Também não vi (pelas mesmas razões) o último jogo de Scolari à frente do Chelsea. Mas já li que o brasileiro vai regressar a casa (ou a Portugal, quem sabe?) com a conta bancária recheada. Não estou admirado. Nem com a chicotada, nem com as avultadas verbas envolvidas num negócio que, à partida, parecia destinado ao insucesso. Scolari pode ter muitas virtudes, mas ao contrário do que pensam muitos dos que o idolatram... também tem defeitos. E alguns dos que testemunhei indiciavam que a experiência inglesa não seria coisa fácil. Os resultados (ou a falta deles) foram a origem do divórcio, mas estava na cara que em Inglaterra não se poderia esconder muito tempo a incapacidade para inverter o rumo de um jogo a partir do banco; a fixação por um modelo táctico rígido; o excessivo proteccionismo de uns jogadores em relação a outros ou os treinos repetitivos. Discursos de ocasião (e atitudes populistas) não pegam na Grã-Bretanha. Nem com a ajuda da Senhora do Caravaggio... 3 – Se não tenho tido oportunidade de ver o futebol português (e europeu) na televisão, faço questão de acompanhar a exaustiva cobertura da imprensa norte-americana sobre os recentes escândalos envolvendo duas das suas principais referências desportivas: Michael Phelps e Alex Rodriguez. E constato, boquiaberto, a forma incrível como muitos pretendem 'meter no mesmo saco' situações tão distintas. O nadador (que só em Pequim conquistou mais medalhas de ouro que Portugal em todas as edições dos Jogos Olímpicos) está a ser crucificado porque, fora do período de competição, resolveu fumar marijuana e (mais grave) deixou que alguém o fotografasse com a boca... no cachimbo. Percebendo que a imagem do jovem ficou seriamente afectada, não entendo que se coloquem em causa os seus feitos desportivos por causa de um 'charro'. Passa pela cabeça de alguém que fumar marijuana possa transformar um atleta normal num dos maiores campeões da história? Pelo contrário, a embrulhada em que se envolveu aquele que é para muitos o melhor jogador de basebol da actualidade mexe com a verdade desportiva. Rodriguez – que amealha 28 milhões de dólares por ano só de salário (!!!) – tomou esteróides para ganhar massa muscular, de forma a ser mais forte no desempenho da sua actividade profissional. Isso, claro está, é mais do que suficiente para arruinar o seu futuro (e presente) enquanto atleta de elite. E mancha o passado glorioso. O choque na sociedade 'yankee' foi tão grande que, imagine-se, até o presidente Obama foi convidado a pronunciar-se. Entre a análise à crise financeira e o anúncio da nova postura diplomática nas relações internacionais, o líder dos 'States' mostrou-se duro com os batoteiros no desporto. Depois de muitos anos a assobiar para o lado e a acusar os outros, os norte-americanos despertaram, em definitivo, para a problemática do 'doping'. E olhar para dentro de casa é uma tarefa que, seguramente, ainda vai fazer cair mais uns quantos ídolos com pés de barro!
1 - Não vi o recente FC Porto-Benfica. Por estar de férias nos Estados Unidos passei ao lado da partida que, a fazer fé nas análises, ficou marcada por um penálti inexistente. Não estou admirado. É só a enésima vez que os resultados do futebol luso (e não só) são adulterados por causa dos erros dos árbitros. O.K., eu sei que eles são humanos e têm direito a falhar. Convivo bem com isso. O que me faz confusão é ver os maiorais do desporto-rei continuarem a considerar que o futebol não precisa de se adaptar aos tempos modernos. Defendo que todas as ajudas que os homens do apito possam ter para melhorar o seu desempenho devem ser aceites, quanto antes, de modo a que a credibilidade do jogo não decresça cada vez mais. Já sei que isso, por si só, não impedirá os juízes de ver penáltis onde eles não existem. Mas, também em relação a isso, pode e deve ser feita alguma coisa. Por exemplo: se um jogador simula uma falta e engana o árbitro, castigar o prevaricador devia ser obrigatório. As imagens televisivas devem ser utilizadas para punir todos os que tentam (e por vezes conseguem) jogar com trunfos ilegais. Se é verdade que o árbitro errou (e deve também pagar por isso), convém ter presente que alguém o enganou...
2 – Também não vi (pelas mesmas razões) o último jogo de Scolari à frente do Chelsea. Mas já li que o brasileiro vai regressar a casa (ou a Portugal, quem sabe?) com a conta bancária recheada. Não estou admirado. Nem com a chicotada, nem com as avultadas verbas envolvidas num negócio que, à partida, parecia destinado ao insucesso. Scolari pode ter muitas virtudes, mas ao contrário do que pensam muitos dos que o idolatram... também tem defeitos. E alguns dos que testemunhei indiciavam que a experiência inglesa não seria coisa fácil. Os resultados (ou a falta deles) foram a origem do divórcio, mas estava na cara que em Inglaterra não se poderia esconder muito tempo a incapacidade para inverter o rumo de um jogo a partir do banco; a fixação por um modelo táctico rígido; o excessivo proteccionismo de uns jogadores em relação a outros ou os treinos repetitivos. Discursos de ocasião (e atitudes populistas) não pegam na Grã-Bretanha. Nem com a ajuda da Senhora do Caravaggio...
3 – Se não tenho tido oportunidade de ver o futebol português (e europeu) na televisão, faço questão de acompanhar a exaustiva cobertura da imprensa norte-americana sobre os recentes escândalos envolvendo duas das suas principais referências desportivas: Michael Phelps e Alex Rodriguez. E constato, boquiaberto, a forma incrível como muitos pretendem 'meter no mesmo saco' situações tão distintas. O nadador (que só em Pequim conquistou mais medalhas de ouro que Portugal em todas as edições dos Jogos Olímpicos) está a ser crucificado porque, fora do período de competição, resolveu fumar marijuana e (mais grave) deixou que alguém o fotografasse com a boca... no cachimbo. Percebendo que a imagem do jovem ficou seriamente afectada, não entendo que se coloquem em causa os seus feitos desportivos por causa de um 'charro'. Passa pela cabeça de alguém que fumar marijuana possa transformar um atleta normal num dos maiores campeões da história? Pelo contrário, a embrulhada em que se envolveu aquele que é para muitos o melhor jogador de basebol da actualidade mexe com a verdade desportiva. Rodriguez – que amealha 28 milhões de dólares por ano só de salário (!!!) – tomou esteróides para ganhar massa muscular, de forma a ser mais forte no desempenho da sua actividade profissional. Isso, claro está, é mais do que suficiente para arruinar o seu futuro (e presente) enquanto atleta de elite. E mancha o passado glorioso. O choque na sociedade 'yankee' foi tão grande que, imagine-se, até o presidente Obama foi convidado a pronunciar-se. Entre a análise à crise financeira e o anúncio da nova postura diplomática nas relações internacionais, o líder dos 'States' mostrou-se duro com os batoteiros no desporto. Depois de muitos anos a assobiar para o lado e a acusar os outros, os norte-americanos despertaram, em definitivo, para a problemática do 'doping'. E olhar para dentro de casa é uma tarefa que, seguramente, ainda vai fazer cair mais uns quantos ídolos com pés de barro!