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A semana foi recheada de decisões judiciais que deixaram as coisas mais ou menos na mesma. A primeira tem a ver com a Taça da Liga e o atraso do Futebol Clube do Porto no jogo com o Marítimo. A multa ficou muito mais pesada, mas o Porto passa às meias-finais. Parece que o atraso do Porto foi intencional mas não teve a intenção de prejudicar o Sporting, concluiu o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol.
A esperteza saloia era para beneficiar o Porto, não era para criar problemas aos outros. Ricardo Quaresma tentou agredir um jogador do Nacional. A multa foi apenas de 77 euros e sobre os incidentes no final do jogo nada consta no comunicado do Conselho de Disciplina. Segundo as meias-palavras de Pinto da Costa, terá sido uma reação a uma provocação racista. Pois a mim parece-me que o caminho é o oposto. Quaresma devia ser realmente castigado e deve ser incentivado a apresentar queixa contra quem o insultou com termos racistas, para que a esse seja aplicada uma punição ainda mais severa. É que ainda não estamos no faroeste. Uma mão não lava a outra. Uma violação das regras e da civilidade não justifica a seguinte. É pelo menos esse o espírito do Estado de Direito.
Mas a provar que a justiça desportiva não é frouxa, Luís Filipe Vieira foi punido com dois meses de suspensão e mais de 1.500 euros de multa por críticas que fez à arbitragem, há mais de meio ano, depois do jogo contra o Belenenses. Por fim, o Porto conseguiu a proeza de processar Miguel Sousa Tavares, provando que, aos olhos da direção, ser portista implica acreditar em tudo o que Pinto da Costa diz, mesmo que tal seja impossível. Não serei eu, neste caso, a rasgar as vestes por Sousa Tavares e por “A Bola”. Não me esqueço do episódio de José Diogo Quintela. Mas fica evidente que no futebol nacional existe uma grande dificuldade em lidar com a liberdade de expressão. E essa dificuldade é natural, já que até a justiça desportiva a legitima. Chegar, para benefício próprio, atrasado a um jogo? Não é morte de homem. Tentar bater num jogador? Não faz mal, se formos insultados. O que é grave é criticar a arbitragem. O que é grave é pôr em causa o poder. O que é grave é expressar a indignação por palavras e tentar defender um ponto de vista com argumentos. A murro e com esquemas é que se vai lá. Mas caladinho.