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Está Rui Vitória ciente do desafio?

Está Rui Vitória ciente do desafio?

Agora é oficial: Rui Vitória vai ser apresentado na segunda-feira como treinador do Benfica.

Em condições normais, a chegada de um novo treinador a um clube "grande", e ainda por cima ao Benfica, é um motivo de regozijo para o próprio treinador. Não há nenhum treinador português que não tenha ainda passado pelo clube da Luz ou trabalhado num dos clubes mais representativos em Portugal que não gostasse de trabalhar no Benfica. Rui Vitória chegou lá, depois de uma carreira em que ficou clara a sua apetência para trabalhar e potenciar jovens jogadores, como foi o último exemplo, em Guimarães. O mercado e as circunstâncias ditam os momentos em que as oportunidades aparecem e, às vezes, os desafios ocorrem nas horas menos convenientes. Creio que é o caso de Rui Vitória, no Benfica. É difícil dizer "não" quando as oportunidades batem à porta, porque a concorrência é grande e nem sempre as ocasiões se repetem.

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O desafio é enorme. Desde logo, para o próprio Rui Vitória. Uma coisa é orientar equipas como o Fátima, Paços de Ferreira e V. Guimarães; outra coisa é exercer as competências subjacentes à profissão de treinador de futebol num dos três principais clubes portugueses e, mesmo entre esses, há diferenças avassaladoras. Benfica, FC Porto e Sporting são de um mesmo universo mas projectam situações internas bem diferentes.

Vamos ver, pois, como Rui Vitória se adapta a esta nova realidade. Uma coisa é comandar jogadores como João Afonso, Bruno Gaspar ou Tomané; outra coisa é exercer esse comando sobre Luisão, Maxi Pereira ou Jonas. É verdade que a massa adepta do V. Guimarães é exigente, mas a pressão no Benfica é incomensuravelmente maior e Rui Vitória vai ter de conviver com isso, não apenas no espaço nacional mas também nas competições europeias. Toda a experiência que já adquiriu neste âmbito será preciosa, mas esta é a primeira vez que Vitória se confronta com um grau de exigência tão avassalador.

Para um treinador que anda à procura de "estatuto", nunca é fácil render alguém que teve sucesso, como foi o caso de Jorge Jesus no Benfica. Por mais que se queira agora, e muito injustamente, reduzir os méritos do agora técnico dos "leões", Jesus transformou o futebol benfiquista, que até à sua chegada era uma amálgama de tendências. Jesus deu identidade ao futebol do Benfica, por mais que os velhos e novos detractores queiram subestimar a sua acção na Luz. E muita dessa identidade resultou não apenas de trabalho mas também de carisma. De um forte carisma.

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Rui Vitória não tem esse carisma e é exactamente por não o ter que Vieira o escolheu. O presidente do Benfica, nesta fase, quer um anti-Jesus. Não vai querer ninguém que faça sombra à estrutura (seja lá o que isso é, sem menosprezar o contributo de todos os que contribuem para o sucesso de um treinador, seja no Barcelona, no Bayern ou no Manchester United), porque na verdade, neste próximo ciclo do Benfica, o grande objectivo é promover o trabalho de todos, sob a batuta presidencial. Nesse sentido, Rui Vitória vai ser uma extensão inequívoca do projecto – e não um contrapoder desse mesmo projecto, como era visto Jorge Jesus aos olhos de quase todos que o acompanharam na Luz e no Seixal.

Averdade é que, volvidos quase 12 anos de presidência, nem todos acham que Vieira tem as características de um líder. Um líder no sentido de exercer o poder com mão de ferro. Talvez Vieira seja mais um gestor de lideranças. Alguém que gere bem a simultaneidade de um conjunto de lideranças intermédias que são importantes para o clube. Dir-se-á que quem sabe fazer isso é o verdadeiro líder. Mas, para ficar na história como um líder forte e indiscutível, tem de contrariar aqueles que defendem a ideia segundo a qual Jorge Mendes, pelo poder de influência no mercado, e João Gabriel, pelo poder de influência que gera no universo da comunicação, interna e externamente, são os grandes "patrões" do Benfica. Ou, se se quiser, aqueles que geram influência(s) acima do presidente.

Este desafio é, também, um teste à natureza da liderança de Vieira. Em diversos momentos, esteve escondido. Atrás de José Veiga e Rui Costa, primeiro e, agora, de Jorge Jesus. Este parece ter sido o momento escolhido – a um ano de eleições, sensivelmente – para Vieira redefinir o regime. Rui Vitória foi o escolhido para dar corpo a um regime presidencialista. O presidente primeiro; a estrutura a seguir; o treinador em terceiro lugar.

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O risco é grande? É! Pode ser um fracasso? Sem dúvida. Mas é também, contabilizando os riscos, um grande desafio. Para a "estrutura" e para Rui Vitória, mas principalmente para Vieira que um dia quererá deixar o Benfica, com contas equilibradas, com todas as promessas cumpridas e, também, com a imagem de líder perfeitamente reconhecida.

O CACTO - Desonra da Taça

1 A suspensão da Taça de Honra da AFL pelo período de um ano (até ver) é um desprestígio para a prova, para a Associação e para a integridade do futebol português, levantando algumas questões pertinentes, entre as quais se destaca o facto de os clubes desprezarem o calendário e os regulamentos das provas nacionais para poderem realizar digressões no estrangeiro, como é o caso este ano do Benfica.

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É um precedente tremendo, porque para o ano pode ser o Sporting a revelar indisponibilidade, ou outra vez o Benfica ou outro clube filiado na Associação.

A partir desta suspensão, "a prova mais antiga do futebol federado em Portugal" fica ferida de morte e sempre dependente da disponibilidade dos "grandes" e das suas prioridades em termos de preparação, com pressupostos nalguns casos de natureza financeira.

Qual é a posição da FPF sobre a matéria?

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2 Bruno de Carvalho fez muito mal em não assumir o ónus financeiro do afastamento de Marco Silva do comando técnico do Sporting. As divergências eram insanáveis? Aceita-se. Era preciso redefinir o projecto? Aceita-se. O que não se aceita é esta fuga às responsabilidades, principalmente quando se percebe que a factura pode aparecer mais tarde ou mais cedo. É que a contratação de Jorge Jesus teria ainda muito maior impacto se não fosse essa mancha.

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