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Excessivas infrações de Casemiro

Excessivas infrações de Casemiro

1 A construção de uma equipa compreende a existência de um ilimitado reportório de conceitos, ideias e princípios, de modo a consolidar, oleando, a larga cadeia de regras, movimentos, posicionamentos e decisões que lhe dão forma; a força de um exército assenta em cumplicidades, segredos, automatismos, verdades e até algumas mentiras; para dar resposta a qualquer situação ocorrida no jogo, o coletivo entrega-se a um exercício de memória para a aplicação prática do que foi assimilado durante a semana e submete-se a um teste à inteligência dos seus próprios soldados em pleno campo de batalha. O médio-centro costuma ser o jogador que os treinadores elegem para ser a sua voz nas quatro linhas, o seu cúmplice ideológico, a ferramenta para aplicar as orientações definidas antecipadamente.

2 A Casemiro pede-se que equilibre, feche, suba, compense e ocupe o espaço; que seja multifuncional mas que não se disperse naquilo que o une ao líder: a execução de um plano estratégico sólido e com o qual deve estar comprometido por inteiro. O número 6 é o elemento com mais conexões na equipa: o avançado dos defesas e o líbero dos avançados; um farol de equilíbrio, que faz muitas vezes de terceiro central e dobra os laterais e, ao mesmo tempo, um potencial iniciador do processo ofensivo. O brasileiro emprestado pelo Real Madrid deve assumir, por isso, a responsabilidade suplementar que é dar ainda maior dimensão ao FC Porto de Lopetegui. Para isso tem de ler, decorar e entender a enciclopédia da função que ocupa e adaptar a sua aplicação às propostas apresentadas pelo treinador.

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3 Futebolista com fascínio pela participação na conquista de terrenos adversários, Casemiro desenquadra-se facilmente das obrigações prioritárias que lhe cabem; deve ser o principal defensor da ordem mas deixa-se levar pela paixão da bola e pela aventura do jogo; porque tem soluções técnicas superiores, entusiasma-se com as virtudes da liberdade e desvaloriza a força de disciplina e organização, mandamentos sagrados da sua conduta em campo. Aliás, esse tem sido um dos maiores problemas para garantir consistência ao tantas vezes deslumbrante futebol portista: continua a fazer o que sente em zonas e circunstâncias que aconselham a fazer o que deve. Porque não tem o domínio perfeito da tarefa, recorre ao instinto muscular para compensar as decisões incorretas que toma durante o jogo.

4 Casemiro é um grande jogador em fase de consolidação de competências como pivot-defensivo, tarefa na qual ainda peca por desatenções e maus posicionamentos. Seguro no modo como alimenta a circulação, não educou ainda os impulsos que o levam a dispersar-se, a pecar por excesso de velocidade, a entrar mal nos cruzamentos, a pisar traços contínuos e a não respeitar os semáforos. Se houvesse um polícia de trânsito na zona central, não ganharia para pagar as multas por infrações sucessivas e por vezes grosseiras que vai cometendo; porque estamos a falar de outra coisa, essa condução agressiva e ilegal traduz-se na penalização futebolística mais habitual: o cartão amarelo, que já viu em por nove ocasiões, facto que faz dele o jogador mais castigado do FC Porto - não por acaso, Samaris, o grego que sofre de males semelhantes no Benfica, já leva onze admoestações, que o colocam no topo da lista encarnada, à frente de Maxi Pereira. Imaginem se jogassem no Penafiel, no Gil Vicente, na Académica, no V. Setúbal, no Arouca ou no Boavista…

Sérgio Conceição cumpre as metas

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O treinador deve confiar nos conhecimentos que possui e não ter medo das opções que toma

Sérgio Conceição está a cumprir as metas que traçou, definidas quando a vida nem lhe corria bem: o quarto lugar. Apesar das muitas oscilações, registadas de um jogo para outro e até no decorrer do mesmo (a vitória sobre o Nacional como exemplo), o Sp. Braga é uma equipa cada vez mais consistente, com identidade bem definida, assente na força de uma ideia global e na qualidade de alguns dos melhores jogadores da Liga. Já não restam dúvidas: estamos perante um excelente treinador.

Belenenses é caso de estudo

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Os 17 pontos fora de casa dão aos azuis um horizonte de esperança para o resto da época

O Belenenses de Lito Vidigal está por dentro da luta europeia, ao mesmo tempo que se afasta do pelotão que o persegue. O feito é notável, porque não se trata apenas de amealhar pontos sem efeitos suplementares. No Restelo nasceu uma equipa cuja dimensão é maior do que a soma das partes; um conjunto em que o treinador melhorou quase todos os elementos à disposição, teve critério na promoção dos mais jovens e consolidou a progressão de outros que esperavam apenas um clique para se aproximarem do máximo que podem atingir. Um caso sério de competência. E de estudo.

Musas não iam abandonar Nani

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Entre jogador e adeptos os vínculos são voláteis e, por norma, as contas fazem-se na hora

Nani devia ter o crédito da genialidade, do compromisso assumido com o Sporting e do peso relativo que tem assumido ao longo de toda a época. Bastou-lhe um período menos bom, depois da lesão contraída no Bessa, para ser posto em causa. Verdade se diga que a reposição da justiça também veio num estalar de dedos, com um golo monumental ao Gil Vicente, prova de que as musas podem distrair-se uma, duas, três semanas, mas não abandonam para sempre os mais talentosos e aqueles que aproveitam melhor os benefícios da inspiração. Sempre assim foi.

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